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Gazeta das Caldas

Cerâmica caldense e Bordalo Pinheiro são referências em destaque no Museu do Pão em Seia

Pães, papossecos, broas, de vários tamanhos e feitios, de trigo, de milho ou de centeio. Parecem mesmo verdadeiros, mas são feitos de cerâmica. Eis algumas das peças caldenses que fazem parte do acervo do Museu do Pão, em Seia, no qual estão também expostas algumas obras de Rafael Bordalo Pinheiro que reportam também para o pão, o seu fabrico e o seu consumo.

Gazeta das Caldas / Carlos Cipriano

Destas últimas podem ver-se jarros, uma terrina, um paliteiro, um pousa-colheres e uma travessa, tudo em cerâmica e em clara alusão aos cereais com que se faz o pão.

Esta "embaixada cerâmica caldense" ocupa uma parte central e bem destacada de uma das salas do museu, sendo bem visível a indicação (em português e em inglês) de que se trata de "Cerâmica das Caldas da Rainha (de meados do séc. XIX a meados do séc. XX)". Os pães em louça, que datam da década de 1940/50, têm a indicação que dois deles foram "gentilmente cedidos pelo Sr. Henrique Silva", de Santiago do Cacém.

De Rafael Bordalo Pinheiro existem ainda azulejos com motivos campestres, mas o visitante do museu volta a encontrar este multifacetado artista noutra sala, dedicada à História, com abundantes caricaturas e até banda desenhada da sua autoria. Bordalo critica de forma mordaz a falta de pão, o seu preço e a falsificação daquele precioso alimento, à época importantíssimo na dieta alimentar dos portugueses.

Mais do que um museu, pode visitar-se em Seia um autêntico complexo museológico dedicado ao pão e que representa uma das maiores atracções turísticas daquela cidade no sopé da Serra da Estrela. Além das várias salas expositivas, existe um restaurante, uma mercearia antiga, uma padaria-atelier e um bar-biblioteca. Este último, com mobiliário em madeira e com uma vista extraordinária que abrange Viseu, Mangualde e Nelas, é um dos locais mais bem conseguidos do Museu.

Curiosamente, este investimento, inaugurado em 2002, não se trata de nenhuma aposta estratégica da autarquia, mas sim de um projecto privado, liderado por dois irmãos - António Quaresma e Laura Quaresma -, ambos professores, com o apoio técnico de Sérgio de Cavalho, também docente. Inaugurado em 2002, o Museu do Pão não beneficiou de fundos comunitários nem de dinheiros públicos, mas é hoje uma referência no turismo da Beira Alta e até nacional.

A formação em História de um dos proprietários e do seu director, explica a ênfase dada à história do pão através dos tempos e que tão bem documentada se encontra numa das salas dos museu, um bom exemplo para o turismo de herança cultural, que no estrangeiro é muito cultivado.

Os miúdos podem fabricar um pão - ou uma escultura em pão que perdurará - e os adultos podem comprá-lo, de vários tipos, na mercearia antiga. A entrada custa 2,50 euros e jovens e seniores só pagam 1,50 euros.