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Expresso

Gazeta das Caldas

Aprovado projecto de articulação da linha do Oeste com a linha de alta velocidade em Leiria

O projecto que prevê a construção de uma variante da linha do Oeste para a ligar à linha de alta velocidade Lisboa-Porto na futura estação de Leiria já foi aprovado pelo Ministério do Ambiente.  

Gazeta das Caldas / Carlos Cipriano

A Declaração de Impacto Ambiental foi emitida em 16 de Setembro e integra também o troço Lisboa-Pombal da linha do TGV.

Em causa está a construção de uma nova estação ferroviária de Leiria que servirá em simultâneo a linha do Oeste e a linha de alta velocidade, podendo os passageiros mudar do comboio convencional para o TGV e vice-versa no mesmo ponto.

Para tal será construída uma variante de 11 quilómetros à linha do Oeste, que decorrerá praticamente em linha recta ao lado do corredor de alta velocidade, conforme se pode ver na imagem que publicamos.

Segundo a Rave, este projecto deverá estar concluído em 2015 aquando da inauguração do TGV entre Lisboa e o Porto. O troço de linha do Oeste a desactivar será utilizado ainda durante algum tempo para mercadorias, mas a Refer prevê a construção de um novo terminal de carga noutro local, pelo que a linha e a estação actual serão fechadas.

MUDANÇA DE COMBOIO PODE SER EVITADA

A Declaração de Impacto Ambiental é uma boa notícia para o Oeste que assim passará a ter uma ligação directa à alta velocidade através de Leria. Tudo isto, claro, num cenário em que actual linha seja modernizada e possa ter um serviço rápido e frequente para aquela cidade, que passará a ter uma grande estação intermodal onde vão confluir o TGV, os comboios convencionais vindos do Oeste, da Figueira da Foz e de Coimbra, bem como autocarros de longo curso e urbanos.

O facto das linhas de alta velocidade serem construídas em bitola (distância entre carris) europeia impossibilita que os comboios do Oeste nela possam circular. Mas tal pode ser resolvido com a colocação de um intercambiador em Leiria que permitiria, deste modo, a comboios bi-bitola circularem nos dois tipos de linha.

Um intercambiador é um aparelho que se coloca na via férrea e que adapta o eixo do comboio ao tipo de bitola da linha onde este circula. Trata-se de uma tecnologia usada em Espanha desde há 40 anos nas ligações daquele pais além Pirinéus e que conheceu um progresso crescente nos últimos anos à medida que foram sendo construídas linhas de alta velocidade articuladas com a rede convencional.

Em Portugal, a Rave tenciona instalar um intercambiador perto de Aveiro para que o TGV possa sair da linha de alta velocidade e servir aquela cidade, estando ainda outro previsto para o Poceirão, que permitirá aos comboios vindos do Porto seguirem para o Algarve directamente sem qualquer mudança.

Tecnicamente, um intercambiador em Leiria permite que se efectuem comboios de alta velocidade desde Lisboa, Torres Vedras ou Caldas da Rainha para o Porto e Vigo. Estes seguiriam por uma linha do Oeste modernizada a velocidades de 140 Km/hora, passariam pelo intercambiador de Leiria e lançavam-se depois a 300 Km/hora para Coimbra, Aveiro e Porto.

O Oeste ficaria, assim, incomparavelente mais próximo do Centro e do Norte. Mas dado o investimento necessário na compra de material circulante, tal só se justificaria se houvesse mercado que viabilizasse esse serviço. Uma condição necessária, mas não suficiente, pois é preciso que a região una esforços para exigir - na fase actual do projecto - a colocação de um intercambiador em Leiria.

Dos leirienses é que não podem os oestinos esperar qualquer esforço nesse sentido, uma vez que aquela cidade ficará perfeitamente servida com a linha do TGV Lisboa-Porto.