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À mesa com José Quitério

Boa Mesa: Desmontai e comei

Jockey

No Jockey, no Hipódromo do Campo Grande, em Lisboa, o expositor de peixes dá-nos as boas-vindas.

Jockey Sociedade Hípica Portuguesa Hipódromo do Campo Grande, S/N - Lisboa Tel. 217 957 521 (Fecha aos domingos ao jantar) O hipódromo que serve de cenário à corrida de cavalos de "Os Maias" - magistral capítulo de crítica social lisboeta - era em Belém e durou escassos nove anos (1874-1883). Entretanto, a sociedade elegante passeava-se a cavalo nas alamedas do Campo Grande, local de vários certames hípicos já em plena República. Em 27 de Junho de 1925 foi inaugurado, por iniciativa do Jockey Club, o Hipódromo do Campo Grande, no sítio onde ainda hoje está. A informação colho-a no esplêndido e ilustradíssimo livro "Um Passeio à Volta do Campo Grande", da autoria de Manuela Rêgo (Contexto Editora, 1996). É neste octogenário recinto que a Sociedade Hípica Portuguesa vem desde sempre e regularmente realizando todo o tipo de concursos e demais acontecimentos atinentes à, como titulou Manoel Carlos de Andrade, liberal e nobre arte da cavalaria.

Não sei em que altura é que surgiu um restaurante inserido no complexo equino. Seja como for, nada cuja fama tenha saltado extramuros. Muito menos pensar em qualquer analogia com o madrileno Jockey, ao longo das décadas de 40 a 70 do século passado, sob a direcção de Clodoaldo Cortés, o melhor restaurante de Madrid e de Espanha. Vamos lá então mas é à procura do nosso restaurante Jockey (digo nosso porque, além de português, não é exclusivo dos cavaleiros e está aberto à frequência da peonagem). Tome-se como ponto de referência a cidade universitária; cerca das traseiras da Aula Magna, virar à direita (quem venha de baixo) onde a placa aponta Hipódromo/Piscina/Parque da Cidade; a sinalização não nos abandona até aos domínios da Sociedade Hípica. Por entre instalações cavalares e lojas de artigos de equitação lá aparece a indicação que leva ao restaurante Jockey.

Casa de um só piso, o salão restaurativo, com um expositor de peixes de excelente aspecto a dar-nos as boas-vindas, é amplo, recém-remodelado, com dois tipos de acomodação, uma parede de janelas rasgadas sobre o verde, amesendação caprichada.

A abrir a lista, os Pratos de Dia Fixo: segunda-feira, "bacalhau à Zé do Pipo" (€13); terça, "iscas à portuguesa" (€12,50); quarta, "favas com entrecosto" (€12,30); quinta, "massada de garoupa" (€12,90); sexta, "naco de lombo Wellington" (€14,95); sábado, "cabrito assado no forno" (€14,50); domingo, "cataplana de peixe" (€13,30). Depois são as Sugestões do Chefe: 6 Entradas (invariáveis), 2 pratos de Peixe e 2 de Carne (variáveis mas que podem ser repescados doutras áreas). Mais umas Entradas (7 não repetidas), 4 Saladas e 3 Sopas. Por fim, as Especialidades do Chefe: 19 Peixes (dos quais 9 no carvão) e 20 Carnes. Claro que há coisas repetitivas e lugares-comuns.

Breves notas de prova. Uma "salada de polvo" supranumerária teve a originalidade dos polvinhos inteiros e infantis, numa pedofilia gastronómica em que o crime compensou. Também não constante da lista, o "bacalhau fumado com recheio de pasta de azeitona" foram rolinhos de prazer. Fritas, num molho a que o vinho do Porto deu consistência, as "gambas à Portofino" (€10,50). Na fórmula habitual o "cocktail de gambas" (€7,85). Agradável, assente em pão levemente frito, a "pasta de atum com queijo feta" (€6,95). Matéria-prima boa e bem estimada no "lombo de bacalhau recheado à Vila Real" (€13,50), embora no recheio me pareça suficiente o presunto e dispensável o queijo. Correctas as "iscas à portuguesa" (€12,50). Dentro da regularidade expectável a "cataplana de porco preto com amêijoas" (€12,80). Aparecem pouco e deram para matar saudades, não obstante o louro em demasia, os "bifinhos de cebolada" (€14,10). Canónico o "naco de lombo Wellington" (€14,95), a carne em sarcófago de massa folhada. Prazenteiro o "bife à portuguesa" (€14,95), mas outra vez louro a mais.

Queijo da Serra aprovado. Dezena e meia de doces, bastante positivos os experimentados. Carta de vinhos que não envergonha, mas pode ser aumentada: 56 tintos, 21 brancos, 5 verdes brancos (2 Alvarinhos), 3 champanhes e 3 espumantes. Serviço de bom nível.

O restaurante tem novo concessionário desde Janeiro último. Novos funcionários também, como os empregados de mesa Celso e Rafael (vindos do Tertúlia do Paço) e o cozinheiro Felisberto (chegado do Quinta dos Frades). Deseja-se que não abrandem a cavalgada a caminho da vitória.

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