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Expresso

A vida de saltos altos

Solidariedade Feminina: O futuro mais cor-de-rosa

Estarão os tempos a mudar? Estarão as mulheres a começar a confiar umas nas outras?

Se a competência não fosse uma questão, com quem é que preferia trabalhar? Com um homem ou com uma mulher?

Solange Cosme (sapato nº39) (www.expresso.pt)

Uma das críticas que mais ouço os homens fazerem às mulheres é a falta de solidariedade entre elas. Historicamente os homens criam irmandades que se protegem mutuamente, defendem-se uns dos outros - e das mulheres - procurando apoio nos amigos. Não é raro os homens encontrarem noutros homens a cumplicidade necessária para corroborar uma mentira ou mesmo para subir na carreira.

Num livro "cor de rosa" que li há tempos e que se chamava precisamente "Lipstick Jungle" (que em português foi traduzido simpaticamente para "Saltos Altos") uma das personagens - uma designer de moda, trabalhadora, competitiva e empreendedora - dizia ao seu namorado milionário: "O que é que preciso para me tornar tão rica como tu?" ao que ele respondia: "Ser homem. Não se consegue ser milionário sozinho nem apenas sendo competente ou com uma boa ideia. Há uma série de relações que se tem de criar para se estar no momento certo, com as pessoas certas, que estão dispostas a dar-nos a mão e a receber-nos nesse clube. E esse clube é masculino em que as mulheres ainda são vistas como complemento, não como personagens principais".

Nós mulheres confiamos nas outras mulheres

No livro"In Women We Trust: A cultural shift to the softer side of business", assinado pela americana Mary Clare Hunt, coloca-se, como ponto de partida, a seguinte pergunta a um grupo de mulheres: "se a competência não fosse uma questão... com quem é que preferia trabalhar? Com um homem ou com um mulher?". Curiosamente, e segundo o estudo referido no livro, a maioria das respostas é "mulher" e não é apenas por uma questão de honra à irmandade feminina, é precisamente porque confiam na irmandade feminina e no poder da mesma. Estarão os tempos a mudar? Estarão as mulheres a começar a confiar umas nas outras?

À partida pode parecer ingénuo pensar que as mulheres conseguirão alcançar o nível de cumplicidade e solidariedade que os homens construíram ao longo de séculos. Não é raro ouvir comentários (inclusivé de outras mulheres) que as mulheres são invejosas e são mais traiçoeiras umas para as outras. Mas será isso uma questão de género? Não serão igualmente os homens traiçoeiros e invejosos em relação aos outros homens (especialmente em ambientes empresariais) e começam, com isso mesmo, a ceder nas trincheiras intocáveis que tinham do "clube do bolinha - Mulher não entra"?

Clube do Salto Alto: Homem não entra

Na verdade, a mulher tem naturalmente uma capacidade de cuidar e tratar quem lhe está próximo, e não são raros os episódios na História em que mulheres se protegiam umas às outras para sobreviver num ambiente masculino. As mulheres têm latente essa capacidade de se proteger e de procurar partilhar com as outras mulheres essa "união feminina". Capacidade latente mas que se está a tornar cada vez mais explícita! E o marketing redescobriu o poder das mulheres.

 A evolução natural da mulher na sociedade abriu-lhe as portas à independência financeira, à opção de compra e à exigência por produtos a si dedicados. Neste momento não é raro encontrarmos no mercado Spas só para mulheres, casas de chá só para mulheres, festas só para mulheres e uma infinidade de produtos só para mulheres, pensados não para discriminar mas sim para alcançar a verdadeira necessidade de uma mulher. Somos diferentes, porque não ter produtos e serviços diferenciados? E quando questionadas se gostam efectivamente desta segmentação, a opinião das mulheres é esmagadora: claro que sim! Gostamos de coisas só para nós e que possamos fazer com as outras mulheres! Confiamos igualmente a 100% no que as outras mulheres pensam e constroem para nós.

Os bons exemplos desta crescente solidariedade feminina estão em todo o lado. Isabel Allende, a conhecida escritora chilena, cujos livros são maioritariamente um hino à mulher e à sua luta na humanidade, tem uma fundação com o seu nome dedicada a auxiliar mulheres carentes dos EUA e no Chile. Quando questionada qual o propósito desta Fundação é peremptória na afirmação "A ideia é expandir a solidariedade feminina pelo mundo. Ela vai efectivamente mudar o mundo".

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