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Expresso

A vida de saltos altos

Qual a esperança de vida de uma relação a dois?

Já  coloco esta pergunta há uns meses porque diariamente me apercebo que as relações a dois estão como o nosso país...prestes a declarar falência 

Sofia Rijo (sapato nº39) (www.expresso.pt)

Longe vai o tempo em que adivinhavam o pensamento um do outro e os silêncios não eram desagradáveis. Hoje já nem sabem que horas são quando o outro chega a casa, e não há tema de conversa que não dê em discussão. Será uma fase ou será que está na altura de cada um seguir o seu caminho?

A chama está mais fraca que nunca, e deixámos de ter paciência para nos maquilhar ao fim de semana, também por que ele já deixou de ter paciência para se barbear, e mais parece um sem abrigo que acolhemos lá em casa.

Odiamos cada vez mais os seus defeitos, e encontramos a cada peúga caída no chão e cada prato por lavar no lava loiça, que não foi isso que nos ensinaram quando éramos pequenas.

Estes pequenos pormenores, aliados ao facto dele ter deixado de ligar durante o dia, ou responder às nossas mensagens, dilui-se em sentimentos confusos que ainda temos. Os filhos que já existem, ou que estão para vir, fazem-nos refrear sentimentos, mas ao mesmo tempo fazem-nos a nós, mulheres, sempre mais emotivas, perspicazes e sensíveis, sentir que definitivamente não foi com esta relação que sonhámos.

Esta é uma realidade cada vez mais comum, as relações desgastam-se pelo tempo, pelo trabalho que nos consome e nos faz ter pouca paciência para chegar a casa e ver que nada mudou. A vida pessoal desgasta-se a cada segundo que passamos a mais depois da hora, e só no trabalho é que nos obrigamos a fazer horas extra.

Todos temos defeitos, lá está o lugar comum a desculpar os erros, ou então, não existem relacionamentos perfeitos. Mas por que será que olho à minha volta e vejo que a maior parte das relações se desmorona porque deixou de ter poder de encaixe, paciência e... amor.

Do grupo de amigas mais próximas oiço-as pesarem diariamente na balança as qualidades vs defeitos para darem uma oportunidade. Por outro lado vejo-os impacientes porque ela deixou de recebê-lo em lingerie, e passou a encher-lhe os ouvidos com os problemas que traz diariamente do emprego.

Elas deixaram de admirá-lo, porque o homem ambicioso e decidido já não sabe o que quer, e eles acham-nas amargas, impacientes e chatas.

Pergunto-me o que se passa? Será que as relações estão como os electrodomésticos? Com uma esperança de vida pouco superior a cinco anos? Ou será que as espécie humana deixou de ter capacidade de amar, como diz o poema de Vinicius de Morais: "eu sei que vou te amar...por toda a minha vida"... desde que não me chateies enquanto vejo a televisão, a revista, o facebook, o meu telemóvel topo de gama, escolho a roupa, tomo banho, escovo o cabelo e... nos habituámos a viver sozinhos o dia-a-dia.

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