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Expresso

A vida de saltos altos

O mistério da ida das mulheres ao WC...

A pergunta é recorrente: porque é que as mulheres vão sempre em rebanhos à casa-de-banho? Falar sobre homens, coscuvilhar a vida alheia, retocar a maquilhagem... Surpreenda-se, que as razões vão mais além.

Liliana Coelho (www.expresso.pt)

Definitivamente, um dos mistérios que mais intriga os homens são as idas em grupo das mulheres ao WC. Uns acham graça, outros odeiam, mas todos questionam esta conduta dos saltos altos que passa de geração em geração. Aliás, quem é que nunca apanhou um homem mais atrevido a simular um engano na casa de banho só para tentar perceber o que se passa lá dentro?  Como diz o ditado, a curiosidade matou o gato e muitos desconfiam, mas nunca chegam a descobrir este mistério.

Pois bem, devo confessar-vos que é tudo por solidariedade feminina. Duvidam? Se no universo profissional as mulheres são mais invejosas e competitivas, no campo da amizade são, por norma, mais fiéis e solidárias.

Ora, quando estão juntas num jantar ou numa discoteca optam por ir em grupo à casa de banho, numa espécie de serviço voluntário SOS Mulher para o habitual e mesmo para qualquer contingência. Entre as práticas comuns, lá dentro, fazem parte as conversas sobre homens, a coscuvilhice sobre a vida alheia ou a troca de conselhos ou mesmo de produtos de maquilhagem. (Sim, porque queremos agradar os saltos rasos e, sobretudo, sentirmo-nos confiantes connosco próprias.)

Mães são culpadas?

Mas os motivos não ficam por aqui. Segundo um estudo antropológico britânico, esta prática feminina remonta à infância, no hábito que as mães têm de ensinar às filhas a fazerem as necessidades fisiológicas fora de casa. Por uma questão de higiene e de prevenção de doenças é ensinado às meninas a fazer xixi de cócoras.

Embora esta teoria seja sempre discutível, parece-me ter algum sentido quanto à necessidade do apoio feminino no WC. E em conversa com uma amiga cheguei no outro dia à seguinte conclusão - depois de crescer, uma mulher já não precisa da mãe mas, pelo menos, de três amigas. Uma para segurar na mala (porque simplesmente não há cabides), outra na porta (que está avariada) e outra ainda para dar lenços de papel ou tampões (porque o papel higiénico acabou ou porque não estava prevenida). Por vezes, dá jeito também uma quarta pessoa para estar atenta e ver se entra alguém conhecido. Percebem agora porque é que há sempre filas nas casas de banho femininas?