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Expresso

A vida de saltos altos

Nos limites da (in)fidelidade

O consumo imediato da sociedade pressupõe uma tremenda falha de compromissos. É fácil ceder e difícil permanecer fiel.

Raquel Pinto (sapato nº37) (www.expresso.pt)

A constância nas afeições, na adesão a ideias, a valores ou a crenças é a cada segundo da nossa vida minada pelo convite à infidelidade. Na era das redes sociais na Internet, o tempo é distribuído pelo individualismo. Tudo é temporário e relativo. Dá jeito isto, dá jeito aquilo. E estabelecem-se as relações do oportunismo.

Somos permanentemente bombardeados pela meta do desejo e satisfação pessoal. A inegável necessidade de sentirmos a atenção dos outros e sermos valorizados.

O certo é que se utilizam muitas vezes as justificações mais incríveis para o nosso egoísmo. O outro é o pretexto para a nossa infidelidade, numa resposta febril de justificação para se tentar anular a responsabilidade das nossas escolhas.

Aguentar compromissos, partilhar, ter prioridades não é fácil. Pesa. Dá trabalho. E ignoramos que a honestidade advém do respeito por nós. Seja numa união profissional, na amizade, no amor, na paixão ou no sexo, a traição ao outro, é uma traição à nossa identidade.

Sentimo-nos importantes o suficiente na vida de alguém para lhe cedermos tempo e confiança? Na sociedade do momentâneo, onde é tão fácil trair, a verdade e a coerência serão sempre uma preferência pessoal. Ser fiel às certezas protege-nos dos excessos e de vivermos aprisionados à mentira, ao disfarce.