Siga-nos

Perfil

Expresso

A vida de saltos altos

No mundo alterne das arábias... sem dar conta!

Senhoras com vestidos vaporosos e olhar misterioso a fazerem dança do ventre? Esqueçam. Nas arábias, as coisas já não acontecem bem assim.

Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

É em alturas como esta que pergunto a mim mesma: "Quão tenrinha ainda consegues ser tu, Paula Maria?!". Decidi ir para os copos em Marrakech. Numa segunda viagem a uma das minhas cidades preferidas de sempre, achei que era altura de conhecer a vida nocturna das arábias. Só não sabia era que ia encontrar um cenário como aquele.

Enquanto bebia uma margarita olhava incrédula para a quantidade de mulheres obscenamente descascadas que dançavam tudo menos a dança do ventre perante homens - marroquinos e não só - que as acompanhavam ao melhor estilo de Ibiza. Micro-saias, decotes que nem eu algum dia usaria, beijos com línguas que se viam à distância a entrar nas bocas uns dos outros. A paixão pairava no ar aumentando a olhos vistos o termómetro que por si só já ia bem alto.

E se na rua as mulheres usam vestidos que as cobrem totalmente, na discoteca o cenário é bem diferente

E se na rua as mulheres usam vestidos que as cobrem totalmente, na discoteca o cenário é bem diferente

"Grandas malucas... vai lá, vai!"

Sem conseguir deixar de pensar nas mulheres de burka que vira durante todo o santo dia e na total falta de toque físico entre os casais com quem me cruzara nos meus passeios, confesso que estava incrédula: "Afinal as marroquinas são mais ousadas que nós. Grandas malucas... vai lá, vai!".

No meio da minha alegre perplexidade, que se repetia à entrada em cada nova discoteca, perguntei a um amigo marroquino: "Olha lá, mas afinal porque é que durante o dia elas não fazem o mesmo e andam mais à vontade pela cidade com os namorados?". A resposta não foi exactamente o que esperava: "Paula, eles não são namorados. Elas são pagas para isto...".

Engoli em seco e por fim reparei na única mulher de jalaba da cabeça aos pés que ria e dançava freneticamente sem tocar no companheiro. Por vezes, a ingenuidade tem destas coisas...