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Expresso

A vida de saltos altos

Lésbicas "curadas" com "violações corretivas" (com vídeo)

Millicent Gaika foi amarrada e violada durante cinco horas por um homem que queria "curá-la" do lesbianismo com uma "violação corretiva". O que fez a justiça?

Paula Cosme Pinto (sapato nº38) (www.expresso.pt)

A justiça não fez nada. Millicent Gaika sobreviveu após cinco horas de tortura com "violação corretiva", mas a mesma sorte não tiveram muitas outras mulheres: a verdade é que na África do Sul as lésbicas vivem aterrorizadas pela sombra de um possível ataque com o intuito de "corrigir", da forma mais brutal, a sua orientação sexual.  

A história desta mulher, cujos detalhes do ataque e imagens estão a ser divulgadas através de associações de proteção dos direitos humanos, está a chocar o mundo. E mesmo sabendo que a África do Sul tem das mais altas taxas mundiais de violações sexuais, eu incluo-me nesses grupo de pessoas que não conseguiu deixar de ficar com o estômago às voltas depois de ver e ler sobre tamanho ato de barbaridade humana.

Futebolista morreu numa "violação corretiva"

Embora o crime de "violação corretiva" já seja conhecido e até mesmo levado a tribunal, garantem os ativistas que nunca ninguém foi condenado. E não porque a maioria das vítimas seja mulheres que vivem no limiar da pobreza: em 2008 , Eudy Simolane, um dos ícones do futebol feminino sul africano, foi violada e assassinada após revelar que era lésbica e tornar-se voz forte na defesa do movimento LGBT.

Um crime é um crime. Por maiores que sejam os motivos, ninguém tem o direito de tirar a vida a alguém. E isso nunca será alterado, por mais que o amor incondicional já me tenha feito tantas vezes dizer: "Se alguém tocasse num cabelo dele que fosse, matava sem pestanejar". Contudo, há crimes que nos enojam e fazem sentir vergonha de sermos humanos. Sinto isso muitas vezes quando olho para a história mundial. E quando vejo estes crimes de puro ódio e preconceito, é o que me ocorre. Uma profunda vergonha.

Sei que na semana passada também abordei o tema da violação (confesso que até tenho alguma curiosidade em saber se o tal padre, que achava que as minissaias eram justificação para uma violação, também acharia que as lésbicas não se devem admirar se forem atacadas...), mas como está a correr uma petição para que a "violação corretiva" seja vista como um crime grave aos olhos da justiça, achei que o devia partilhar aqui. Eu sei que nunca temos a certeza absoluta se estas petições online chegarão a bom porto, mas perder 30 segundos e assinar o documento no site a Avaaz.org também não custa. Quem sabe se poderemos ajudar um dia a salvar uma vida.

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