Siga-nos

Perfil

Expresso

A vida de saltos altos

Futebol não é desporto

Até conheço mulheres que gostam de futebol. Muitas suportam-no por amor aos companheiros e outras, como eu, abominam-no.

Sofia Rijo (Sapato nº39) (www.expresso.pt)

Confesso que até é agradável ver pernas musculosas a correr, a troca de camisolas e os troncos nus. Mas quando o ópio do povo se torna numa droga pesada, cheia de viciados e fanáticos, aquilo que é desporto passa a tornar-se num combate real de excessos entre animais profícuos em testoesterona 

Aquilo que supostamente devia ser um momento de espectáculo entre duas das maiores equipas nacionais de futebol, nada mais foi que o habitual e triste confronto entre os fanáticos e histéricos adeptos de duas equipas de futebol que, ao invés de apoiarem a equipa e tornarem este aquele que jamais será, nestes moldes, o desporto rei, transformaram-no numa encenação deprimente de pedradas, ofensas morais e físicas e, claro está, muita falta de nível.

Não se justifica que sempre que se realiza um derby, tenham de ser chamadas forças policiais extra, porque uma cambada de selvagens fanáticos não sabem controlar os instintos e agridem quem lhes aparece à frente, proferindo impropérios e comportando-se pior que o mais atrasado dos homens de Neanderthal (que por sinal até seria muito mais evoluído do que qualquer um dos adeptos que tive a infelicidade de ver nas notícias da noite de ontem).

Afinal, quem paga as contas?

Qualquer semelhança com desporto é pura coincidência

Qualquer semelhança com desporto é pura coincidência

Pelos vistos parece não haver falta de dinheiro, nem crise económica, para financiar horas extra a forças policiais, com o objectivo de segurar um bando de atrasados mentais, mas parece faltar sempre disponibilidade quando se fala em necessidade de apoio policial em bairros problemáticos, estações ferroviárias, escolas e policiamento de ruas.

Não gosto de futebol, ou pelo menos naquilo em que este sobre apelidado de desporto se tornou. Se era apelidado de rei, nos dias de hoje nem com um apelido plebeu se safa. O futebol é nos dias que correm um concílio de gente corrupta, bruta e selvagem, que tornou o ópio do povo numa droga de muito má qualidade - como qualquer outra - em que o resultado só pode ser a intoxicação, a dependência ou a morte.

Talvez se houvesse apoio a outras modalidades e o futebol não fosse um sustentar de meninos mimados, que ganham, na sua maioria salários escandalosos, e os dirigentes um bando de lavadeiras de roupa suja e apitos dourados, talvez o nome desporto pudesse ter algum significado no nosso país.