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Expresso

A vida de saltos altos

Bellamy, um sedutor explosivo

Para mais tarde recordar: Muse, dia 27 de Maio, Rock in Rio 2010

Hugo Correia/Reuters

A temperatura subiu ontem à noite com 83 mil pessoas ao ritmo de Muse: a banda "bomba" que não brinca em serviço. (vídeos)

Raquel Pinto (sapato nº37) (www.expresso.pt)

O relógio marca meia-noite. Fogo de artifício no Rock in Rio. Os Muse ligam a corrente e aquecem as guitarras para mais uma excelente actuação da banda em solo português.

Matthew Bellamy surgiu no palco mundo e, de costas voltadas para a multidão, brincou com a sua sombra. No céu, a lua cheia completava o cenário. O rastilho estava aceso e veio a detonação com "Uprising" a primeira faixa do último álbum dos ingleses: "The Resistance" (2009).

Existem bandas que nos fazem tremer. Que nos emocionam, que nos arrepiam, que se revelam perfeitas ao vivo. Os Muse são uma das melhores bandas da actualidade. Nos concertos, verdadeiros senhores da música, da interpretação e dedicação ao espectáculo de uma forma quase utópica.

"Undisclosed Desires", "United States of Eurasia" ou "Resistance", foram alguns dos temas do mais recente trabalho, mas no alinhamento, tal como já nos habituaram nas frequentes passagens pelo nosso país, os êxitos da banda nunca faltam.

"Plug In Baby", "Citizen Erased", "Supermassive BlackHole", "Time is Running Out", "Map of The Problematique", "Starlight", "Stockholm Syndrome", "Hysteria" e "Neutron Star Colision (Love Is Forever)" são alguns dos exemplos que puseram em explosão o recinto: 83 mil pessoas assistiram ontem às espirais de riffs, à beleza inegável da voz de Bellamy, ao espantoso ritmo do espectáculo multimédia em comunhão com as melodias do trio britânico.

A legião de fãs respondeu de braços no ar, assobios e gritos de histeria. Dois anos depois da passagem pelo Parque da Bela Vista, o grupo justificou o facto de terem sido escolhidos como um dos cabeça-de-cartaz do festival. Tinham muito mais para dar e não brincam em serviço.

O encore final de "Knights of Cydonia" encerrou a madrugada com uma cascata de fumo no palco. Missão cumprida. Concerto grandioso. Banda de culto. Os Muse não defraudam expectativas e Bellamy continua um sedutor explosivo.