Siga-nos

Perfil

Expresso

A vida de saltos altos

Até quando irão os homens fazer xixi de pé?

Irina Rosa (sapato nr. 37)

Antes de soltarem os cães e considerarem esta pergunta estapafúrdia concedam-me algumas linhas de enquadramento.  A Suécia, país que sabemos estar no topo da paridade de género, dispõe agora de um novo método de classificação dos filmes no cinema: o Bechdel Test. Com apenas três questões ficamos esclarecidos quanto à igualdade de género das películas. E se passar no teste tem direito ao selo de aprovação.

Preparados? Cá vai:

Pergunta 1: O filme tem pelo menos duas mulheres com nome?

Pergunta 2: Falam uma com a outra?

Pergunta 3: Falam de mais alguma coisa para além de homens? (E se há homens que davam para diálogos de filmes completos...)

Para lá dos cinemas que decidiram começar a publicitar este selo de aprovação, também o canal de cabo Viasat Film prepara para dia 17 de Novembro um serão de filmes que passaram o teste. Já estão mesmo a ver que boa parte dos filmes que conhecemos chumbam e que este tipo de classificação pouco ou nada acrescenta sobre a qualidade ou mesmo sobre a sua igualdade. Sejam filmes ou produções televisivas é uma classificação redutora: pensemos na série Mad Men, profundamente sexista, não deixa de ser por isso uma das melhores produções da HBO. E fica desde já feita a minha declaração de interesses: qualquer teste que chumbe o Pulp Fiction é um mau teste!

Mas o que é que o teste de Bechdel tem a ver com os homens fazerem xixi de pé? Pois, a paridade de género na Suécia assume níveis de tal ordem que conta com uma ministra para o efeito, Maria Arnholm, também ministra da educação. E a questão não se fica por aqui, no ano passado uma nova palavra passou a fazer parte do léxico sueco Hen , um pronome que visa interpelar as crianças sem as distinguir entre han, (ele) ou (hon), ela. Já em Sörmland está em discussão uma proposta de lei para que os homens passem a fazer xixi sentados, por questões de higiene e de saúde. De acordo com as defensoras da ideia a posição permite um maior esvaziamento da bexiga, reduz problemas relacionados com o cancro da próstata e melhora a vida sexual. Teorias refutadas por médicos não partidários desta posição.

Podemos rir, criticar e achar ridículo mas o assunto está a ser levado muito a sério e a causar já alguns problemas nos jardins-de-infância onde os ensinamentos de casa não coincidem com os hábitos das escolas. Será graças a medidas como esta que a Suécia é um dos países mais igualitários? E como saber quando parar ou se passou o sexo masculino a ser o marginalizado? As obsessões nunca dão bom resultado. Tornar-nos neutros não é o caminho para nos tornar conscientes de desigualdades e para as corrigir.

Por mim meus senhores, façam-no como entenderem e melhor vos aprouver, pede-se apenas o favor de baixarem a tampa da sanita depois de terminarem!

P.S. Provavelmente não passa o teste mas aqui fica como sugestão para um serão sem classificações e sem tretas:

Ferrugem e Osso

A Vida de Saltos Altos também está presente no Facebook. Na página desta popular rede social qualquer um pode ser fã deste blogue. Clique para visitar.