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Expresso

Sinais de perigo

Em agosto de 2018, a taxa de desemprego situou-se em 6,9%, mais 0,1% que no mês anterior. Foi a primeira vez, desde fevereiro de 2016, que aquela taxa não desceu. Isto é o fim de um ciclo.

Foi um ciclo tremendo, que repôs a estabilidade nas contas públicas, viu a taxa de desemprego cair de valores que chegaram a ser próximos de 20% e tirou, seguramente, muitas famílias da pobreza. Mas acabou, e quanto mais depressa nos convencermos disso melhor.

Vamos para eleições no próximo ano, e tudo indica que é bom que nos proponham novas estratégias: a reversão da austeridade resultou, muito da mesma forma como parar de bater com a cabeça na parede dá uma súbita sensação de alívio, mas agora temos de lidar com o hematoma remanescente.

É verdade que em relação ao ano anterior o desemprego ainda decresce uns sólidos 1,8%. Mas o longo ciclo de redução do desemprego está a dar sinais claros de – para já – estabilização. É verdade que o emprego ainda cresce, mas residualmente, e ambos os indicadores nos dizem a mesma coisa.

Parte deste desempego de 7% corresponde ao chamado desemprego natural, e quanto a esse, pouco a fazer. Todas as economias o têm, e os sinais que temos é que é esse é um valor que tem crescido nos países com economias mais maduras.

Outra parte corresponderá a trabalhadores com 60 ou mais anos, em alguns casos possuidores de capacidades e trabalho algo desajustadas do que o mercado precisa, e cujo regresso à população ativa pode já não ser possível.

A aposta, claramente, tem de ser nos jovens. Nenhuma estratégia credível não começará por aqui: um em cada cinco com menos de 24 anos está desempregado, uma taxa em torno dos 20%, ou mais do triplo da média nacional. Não pode ser apenas desemprego natural; tem de ser outra coisa e outras coisas têm remedio.

Temos, portanto, de começar a preparar já estratégias múltiplas, dos jovens aos quadros menos qualificados, que nos evitem a dor social e o impacto nas contas públicas de uma qualquer tendência de aumento do desemprego que possa estar ao virar da esquina.

E não, não é cedo: as tempestades preparam-se em terra e ainda com bom tempo. É o caso. É agora.