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Expresso

Não quer ou não consegue?

O investimento público é, de longe, a área da gestão da política orçamental que tem corrido pior.

Num momento em que devíamos recuperar algum do atraso acumulado nos anos da crise e preparar a nossa Economia para melhor resistir à próxima crise – que inexoravelmente chegará um dia – estamos não apenas parados, mas a andar para trás.

A capacidade de gestão orçamental que tem mostrado resultados notáveis em tantos aspetos tem de ser aplicada nesta área. O País tem investimentos de qualidade, pensados há anos e amadurecidos, prontos para avançar. É óbvio que não se quer pressa sem critério. Mas estamos num momento talvez único em que o que não falta são projetos necessários e urgentes, que se acumularam nos anos da troika.

O Ministro Pedro Marques ou não quer ou não consegue – e se calhar já alguém lhe perguntava qual das duas – passar dos anúncios às adjudicações. Enquanto andarmos no investimento no papel, não estimulamos o emprego e o PIB mas, muito pior do que isso, estamos a descurar o futuro.

Powerpoints não são escolas renovadas, hospitais funcionais e equipados.

Acrónimos e afins não substituem um sistema de controlo de tráfego aéreo moderno e competitivo, portos eficientes ou uma ligação de mercadorias à Europa que nos retire da ilha ibérica de uma vez por todas.

Reforçar a produtividade dos nossos trabalhadores é um bonito chavão, mas não se faz sem formação de qualidade (de qualidade, por favor, fábricas de formação em Microsoft Office são um desperdício que já estamos fartos de fazer) e promover a natalidade uma das poucas verdades consensuais na nossa sociedade, mas que de pouco serve proclamar se não há uma rede de equipamentos sociais capaz.

Podíamos ficar aqui o dia todo. Não falta o que fazer. Falta, repito, ou vontade ou saber.

Quase dois anos depois do primeiro Orçamento expiraram as razões de ser necessário esperar por boas decisões. Já houve tempo para elas. Já expirou o argumento de que concursos públicos demoram. Já houve tempo para eles. O País está farto de estar à espera. Já não temos tempo. Nem paciência para desculpas.