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VIPP (Valorização da Imagem Pessoal e Profissional)

Conversa com especialistas: como procurar emprego? (II)

Procura o seu primeiro emprego ou está desempregado? Conheça as recomendações das especialistas em recrutamento e selecção para (re)entrar no mercado de trabalho.

São muitas as pessoas que enfrentam o grande desafio que é procurar emprego. De um lado, encontramos candidatos ao primeiro emprego, na maioria dos casos com qualificações elevadas mas com falta de experiência profissional, sendo este um entrave à contratação (injusto na medida em que para ter experiência é preciso que lhes concedam a primeira oportunidade). Do outro lado, temos candidatos com experiência mas que acabaram de perder o seu emprego por razões diversas.

Partindo destes dois cenários, fomos tentar perceber o que se pode fazer para conseguir o tão desejado emprego.

Recomendações para quem procura o primeiro emprego

Paula Baptista, Managing Director da Hays em Portugal, diz que "para se aproximar do mercado de trabalho, para além de um conhecimento geral do mesmo, deverá integrar um programa de estágios (curricular; profissional ou outro) logo que possível", devendo o candidato fazer "a sua escolha numa perspectiva de valorização e enriquecimento curricular e no âmbito da obtenção de competências práticas para o início da sua vida activa".

A responsável da Hays em Portugal lembra que os candidatos ao primeiro emprego podem "recorrer, numa primeira fase, a trabalhos em part-time ou temporários, ainda que não especificamente relacionados com a área de formação do candidato", a fim de contactarem com o meio laboral.

Por outro lado, Paula Baptista fala ainda da importância do investimento na "aprendizagem de idiomas estrangeiros", nomeadamente o inglês que deve ser fluente e outros idiomas muito utilizados no mercado luso, como é o caso do Castelhano, bem como a aposta em "processos de certificação que complementem e comprovem níveis avançados de qualificação", factores que não garantem a contratação mas que diferenciam os candidatos na hora de contratar.

Por último, adianta que as "experiências em contexto internacional, como Erasmus ou outras, serão valorizadas pelo recrutador, por demonstrarem capacidade de adaptação a realidades diversificadas".

Para Paula Calmeiro, Directora de Delegação da Sales Hunters, o candidato ao primeiro emprego deve ser "humilde tanto na escolha como nas contrapartidas solicitadas" e "encarar o primeiro emprego como a grande oportunidade de iniciar a sua carreira (que por si só já é uma vantagem competitiva)".

Ainda assim, considera importante que o candidato "seja criterioso e que direccione a sua procura de acordo com a sua vocação e com a carreira que pretende, de forma a obter desde o inicio coerência e consistência curricular, factores muito valorizados". Segundo Paula Calmeiro, "as empresas não valorizam CVs com elevada diversidade de funções e elevada rotatividade de empregos".

Lúcia Silva, Responsável pela Área de Recruitment, Selection & Assessment da SHL Portugal - People Solutions, deixa três grandes recomendações aos jovens que procuram o seu primeiro emprego:

1. Conhecer-se a si próprio: o que gosta e o que não gosta de fazer, quais os seus pontos fortes e limitações, quais os seus projectos, que tipo de empresa procura, o que é que o motiva;

2. Fazer um plano: pesquisar sectores de actividade, procurar empresas, enviar o currículo para aquelas que considerar mais interessantes, consultar ofertas de emprego em jornais ou em sites;

3. Manter a motivação e a persistência: estar preparado para participar em processos de selecção, estar preparado para ouvir um "não", estar preparado para considerar alternativas que não tenha previsto inicialmente.

Recomendações para quem procura um novo emprego

É certo que enfrentar uma situação de desemprego não é fácil mas há que canalizar toda a disponibilidade e energia pessoal para o encontro de soluções.

As recomendações de Paula Baptista, Managing Director da Hays em Portugal, que vão no sentido de "iniciar um processo racional e sensato de avaliação da situação e delinear uma nova estratégia de abordagem ao mercado de trabalho", passam por:

- Analisar os sectores de mercado onde considera que o seu perfil se pode enquadrar;

- Reunir as informações pertinentes acerca do funcionamento desses sectores, nomeadamente as tendências vigentes, contactos, websites e quaisquer outras informações;

- Construir um CV claro, objectivo e sucinto, que contenha toda a informação relevante sobre o seu percurso profissional;

- Pedir conselhos sobre o seu CV e simular entrevistas, focando-se essencialmente na sua experiência profissional e na forma como ultrapassou os obstáculos e desafios no decorrer da mesma;

- Divulgar o CV apenas para as oportunidades que se enquadrem ao seu perfil e nunca de uma forma indiscriminada, nem cair na tentação de enviar o CV repetidas vezes para uma mesma oportunidade ou empresa, num curto período de tempo;

- Preparar-se para a entrevista, fazendo o estudo prévio da empresa e do entrevistador;- Ser natural e transparente no decorrer da entrevista.

No entender de Paula Calmeiro, Directora de Delegação da Sales Hunters, a pessoa que acabou de perder o seu emprego deve "iniciar uma nova procura desde o início, de forma a não perder nenhuma boa oportunidade. Tentar estar inactivo o menor tempo possível, pois interrupções na vida profissional não são positivas para o seu CV e perderá vantagens competitivas. Aproveitar os momentos de paragem profissional para obter formação profissional, que contribuirá para obter novas competências e inverter a aparente inactividade".

Por sua vez, Lúcia Silva da SHL Portugal sugere que se sigam as recomendações apontadas para procura do primeiro emprego, sendo igualmente importante "recorrer à rede de contactos e mostrar a sua disponibilidade e interesse em retomar a actividade profissional" e "apostar em formação que complemente e enriqueça o seu currículo".

Posto isto, parece que o mais importante é mesmo não estar parado! Para conseguir um emprego e tornar-se um profissional atraente no mercado de trabalho, há que investir na formação, desenvolver um plano de acção, potenciar a rede de contactos, envolver-se em projectos e experiências de natureza diversa...

É caso para dizer: há que semear para poder colher!

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