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Vida na Terra

Mortalidade infantil vitima 7,7 milhões

Alexandre Coutinho

Estima-se que, este ano, ainda morram 7,7 milhões de crianças com menos de cinco anos no Mundo. Apesar de tudo, há uma boa notícia: este número está longe dos 16 milhões que morriam em 1970, segundo um estudo da revista médica britânica The Lancet, que abrangeu 187 países*.

Em 2008, a UNICEF apontava para um cenário de 8,77 milhões de mortes, mas segundo este estudo foram 7,95 milhões nesse ano. O que surpreende os especialistas é a velocidade a que desce a taxa de mortalidade de crianças até aos 5 anos, nos países em desenvolvimento.

Regista-se uma diminuição de 35%, entre 1990 e 2010, o que corresponde a uma média anual de 2,1%, havendo mesmo países onde chega aos 6,4%. O estudo revela que 66 países lograram diminuir a sua taxa de mortalidade em mais de 30%, nos últimos cinco anos!

Desenvolvimento de algumas vacinas, suplementos de vitamina A, maior uso de redes e repelentes de mosquitos, medicamentos de tratamento da sida, melhores tratamentos da diarreia e da pneumonia, são alguns dos factores apontados para esta melhoria, por este estudo financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates.

Mesmo entre os Estados subdesenvolvidos, as mortes infantis têm vindo a diminuir. A taxa aumentou em apenas três (Lesoto, Antígua e Barbuda e Suazilândia) nos últimos 20 anos. E na Guiné Equatorial não houve evolução desde 1990: entre 170 e 180 mortes por cada 1000 nascimentos. No pólo oposto, estão Singapura e a Islândia, países onde só morrem duas crianças em cada 1000 nascimentos.

Entre os países desenvolvidos, são os Estados Unidos e o Reino Unido que apresentam uma evolução menos satisfatória. Os ingleses registam uma média de 5,3 mortes em cada mil nascimentos, seguidos de Malta e Andorra. Bélgica, Itália e Espanha registaram uma redução de 4,5% em 40 anos, tendo agora uma taxa de 3,8.

Apesar dos progressos registados, não é o suficiente para cumprir o quarto Objectivo do Milénio. Apenas 56 países estão no bom caminho, ao conseguirem uma diminuição média anual de pelo menos 4,4%. Os que encabeçam a lista dos que mais evoluíram de há 20 anos para cá são as Maldivas (com um decréscimo médio anual de 9,2%), os Emirados Árabes Unidos, Chipre, Portugal e Omã.

Para além de ter uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do Mundo - atrás de apenas nove países no ranking), com 3,32 mortes por cada mil nados vivos em 2010 -, Portugal conseguiu também registar a quarta maior evolução nos últimos 20 anos. O decréscimo médio anual desde 1990 foi de 7,5 por cento, o mesmo registado pelo Chipre, na terceira posição.

Mas os números são ainda mais animadores quando comparados com resultados mais antigos: em 1970, morriam 74 crianças por cada 1000 que nasciam, o que empurrava Portugal para a 75ª posição na lista mundial da taxa de mortalidade infantil.

* "Neonatal, postneonatal, childhood, and under-5 mortality for 187 countries, 1970-2010: a systematic analysis of progress towards Millennium Development Goal 4" - The Lancet, Early Online Publication, 24 May 2010