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Expresso

Executivos sem gravata

Um executivo dedicado ao feminino

Manuel Lisboa é um homem dedicado ao tema das mulheres, ou melhor dizendo, da igualdade e paridade. O professor e investigador apresentou recentemente um estudo sobre o tema e responde, aqui neste blogue, a algumas perguntas. 

Rosália Amorim

Manuel Lisboa é um homem dedicado ao tema das mulheres, ou melhor dizendo, da igualdade e paridade. O professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa apresentou recentemente o relatório "Igualdade de género e tomada de decisão", na sede da  CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Algumas das conclusões são abordadas nesta conversa, em jeito de entrevista, para o blogue 'Executivos Sem Gravata'.

Nos cargos políticos, a presença média de mulheres portuguesas está acima da média europeia. A que se deve isso, na sua opinião? Na política, as comparações internacionais são diferentes conforme os indicadores: no Governo, se contarmos os ministros mais secretários de Estado, estamos a abaixo da média europeia; se contarmos só os ministros já estamos melhor; nos deputados do parlamento nacional estamos melhor; no Parlamento Europeu, estamos ainda melhor. A nível nacional, este governo é o que tem mais mulheres ministras.

As quotas serão uma forma de alcançar a meta da paridade? E a longo prazo não poderão voltar-se "contra" as mulheres, ficando em causa o seu mérito? Creio que não, mas tudo depende da forma como elas forem utilizadas. Esta é uma questão que precisaria de uma explicação sociológica mais alicerçada.

Porque razão as mulheres estão em maior número nas PME do que nas grandes empresas? A posição delas nas PME é mais confortável do que nas grandes empresas. Mas tal não significa que estejam em maioria. Há também factores sociológicos que se prendem com a estrutura do capital, por um lado, e a economia doméstica pelo outro, são igualmente de admitir outras hipóteses que se prendem com o maior protagonismo das mulheres na sociedade portuguesa nas últimas décadas.

O que falta mudar dentro de casa e dentro das empresas para que a paridade seja uma realidade? Tanta coisa, a começar pela alteração de condições objectivas em relação aos factores económicos, articulação da vida pessoal e profissional, alteração e flexibilização de papéis, mudança de  práticas e mentalidades...

Como homem, acredita que a igualdade é realmente alcançável? Igualdade de oportunidades, igualdade de género, sim. Possível e desejável. Para bem e pleno desenvolvimento dos homens e mulheres, que não perdendo a sua especificidade articulam as diferenças como um catalizador do seu desenvolvimento. A questão é que as diferenças não sejam hierarquizadas em temos de poder. Até hoje, nas sociedades ocidentais, o feminino tem sido o mais penalizado. É preciso igualar ao nível do género, ou seja, da construção social, não do biológico.