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Expresso

Mais-valias desagradáveis

Portugal sempre viveu em crise. Mesmo antes da crise financeira internacional de 2008, Portugal já estava em crise. Crise económica, financeira, política, social e tantas outras crises que tão bem caracterizam a sociedade portuguesa.

No auge do mercado imobiliário internacional, atingido antes de 2008 e sentido fortemente em Espanha, Portugal continuava a ser ignorado pelos investidores internacionais, sendo o mercado interno sustentado pelos poucos e endividados investidores nacionais.

Nesse longínquo passado, apenas alguns investidores espanhóis olhavam para o mercado português, tentando antecipar um movimento de subida dos preços em convergência com os praticados em Espanha.

Esta tão esperada convergência de preços do mercado imobiliário português com o espanhol nunca aconteceu por falta de procura internacional sustentável, principal responsável pelo sucesso do mercado imobiliário espanhol.

Mas quando a procura internacional desapareceu e fez cair drasticamente o seu mercado, os investidores espanhóis questionavam os portugueses sobre o reflexo da crise imobiliária de Espanha em Portugal, obtendo invariavelmente a mesma resposta, com a típica resignação de fatalidade do destino português, que a crise imobiliária espanhola de queda de preços nunca atingiria Portugal porque Portugal nunca tinha saído da crise.

Como todos hoje sabem, a crise imobiliária portuguesa foi principalmente financeira, tendo os elevados níveis de financiamento significado que os bancos se tornaram os maiores investidores e proprietários nacionais.

São hoje os investidores financeiros internacionais que suportam o mercado português, atraídos pelas rentabilidades superiores ao resto da Europa, contribuindo para o crescimento sustentado do nível de preços do mercado imobiliário.

As recentes subidas de preços que tanto chocam alguns, principalmente aqueles que gostariam de ganhar dinheiro sem investir e correr riscos, fazem parte da correção de preços provocada pelo aumento da procura.

Mas agora o problema parece ser a geração de rendimento pelo virar de página de austeridade no mercado imobiliário, certamente pela inexperiência dos políticos portugueses em ganhar e verem outros a ganhar dinheiro num mercado que finalmente funciona.

Por isso, o fado lusitano não está habituado a ter sucesso e a aceitar que alguém ganhe dinheiro pela remuneração do seu risco de (seu) capital.

Era de facto bem mais fácil ser político quando todos dependiam do Estado, sem ter que aturar estas desagradáveis modernices da geração de riqueza. Mas nada que mais um imposto não resolva...