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Expresso

Transportes públicos maus e baratos

Lisboa é hoje uma cidade cosmopolita, repleta de turistas, com população residente de várias nacionalidades, recuperada arquitetonicamente e com oferta cultural e de entretenimento quase de nível europeu.

Todos se rendem agora aos encantos de uma Lisboa tantas vezes incompreendida no passado, especialmente pelos portugueses, mas alguns caem no exagero de pensar que se trata de algum milagre e que a cidade está ao nível de qualquer outra capital europeia.

Quem vive ou trabalha em Lisboa pode gostar mais ou menos dos turistas que trouxeram vida à cidade, dos edifícios e das ruas renovadas que recuperaram os bairros, dos restaurantes e esplanadas que alimentam um novo estilo e qualidade de vida dos lisboetas.

Mas só mesmo quem nunca viveu ou visitou Londres, Paris ou Barcelona pode achar razoável comparar o sistema de transportes públicos de qualquer uma dessas cidades com a realidade de Lisboa. Ou quem não usa os transportes públicos por cá. Ou quem é político e já está em campanha eleitoral.

Usar transportes públicos em Lisboa é hoje em dia um flashback de volta ao passado, com os comboios da linha de Cascais e de Sintra piores do que nunca, os poucos autocarros aparentemente sem horários definidos nem cumpridos e o metro apinhado a horas de ponta com poucas carruagens e com horários só para turistas em todo o resto do dia, com intervalos de tempo entre metros que fazem qualquer turista desesperar, quanto mais alguém que aspira a movimentar-se rapidamente de metro, seu principal objectivo.

Apenas os eléctricos e os táxis continuam a ser uma mais-valia turística pela sua antiguidade e singularidade de experiência, não havendo paralelo de qualidade noutras capitais europeias e por isso ficando na memória de qualquer utilizador, turista ou não, pelas melhores e piores razões.

Mas ainda há quem pense que os transportes públicos não são utilizados porque são caros, justificando o aumento do uso de automóvel pelos lisboetas por ser mais barato, como acontece com o Presidente da autarquia.

A mais recente promessa de reduzir o custo dos transportes em Lisboa e Porto já nem choca pela imputação de mais custos aos suspeitos do costume que ainda pagam impostos, mas sim pela inconsciência de agravar o problema, reduzindo cada vez mais a qualidade de serviço para quem não tem alternativa, por falta de investimento.

Talvez se tentassem viver fora de Lisboa e deslocar-se para trabalhar em Lisboa com os horários dos comuns mortais, verificassem que nem se fosse grátis passariam a usar um sistema de transportes públicos que não funciona.

Basta ir a Londres, Paris ou Barcelona para ter mais cuidado em comparar os seus sistemas de transportes com os da capital portuguesa, comparando transportes públicos bons e caros com maus e baratos.

Lisboa está melhor mas convém não exagerar, pois nada foi feito para melhorar os transportes públicos em Lisboa. E não é por serem caros que não são utilizados, pois nas outras capitais europeias são mais caros do que em Lisboa, mas funcionam bem. E por isso são utilizados por todos, substituindo o automóvel de muitos.

Como poucos parecem saber nesta capital europeia, se os transportes públicos fossem bons e eficientes seriam utilizados por mais pessoas, diminuindo os automóveis na cidade e possibilitando a prazo a redução dos preços por via do aumento de utilizadores. Mas as baixas expectativas da sociedade atual aplaudem o mau e barato, pois de facto é muito melhor mau e barato do que mau e caro. Mas o real problema não é esse...