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Expresso

A bolha nas mãos de Trump

A situação económica e política de Portugal está prestes a enfrentar um choque com a realidade, em que a economia e o emprego sentirão as consequências negativas das políticas expansionistas em fases de crescimento do ciclo económico.

A crescente globalização económica e a crise financeira de 2008 aumentaram a interdependência entre países, tornando a situação atual ainda mais volátil do que há dez anos. Portugal está assim ainda mais exposto à conjuntura internacional do que no passado.

Para piorar o cenário internacional, temos desde o ano passado Trump a conduzir a alta velocidade a política expansionista dos EUA com a economia em pleno emprego, tornando o mundo um sítio cada vez mais perigoso para se viver com o proteccionismo da sua política económica externa, aumentando o risco de retaliação dos seus parceiros comerciais.

Os bons principios de gestão orçamental defendem que os défices orçamentais podem ser úteis em tempos de dificuldades económicas, mas não devem ser tolerados em tempos de forte crescimento para evitar que a dívida pública cresça indefinidamente e para garantir que em tempos difíceis o país terá espaço para estimular a economia através da sua política orçamental.

Aparentemente insensível a estes princípios básicos de economia, Trump optou por um corte de impostos no ano passado que aumentará a dívida pública em cerca de 1,500 biliões de dólares durante a próxima década, autorizando ainda um aumento da despesa pública de 300 biliões de dólares proposto pelo congresso.

Adicionalmente, vários anos de políticas monetárias expansionistas dos principais bancos centrais levaram à sobreavaliação global de ativos mobiliários e imobiliários, enquanto o excesso de liquidez nos mercados financeiros internacionais causou a subavaliação do risco de crédito em todo o mundo.

A cada vez mais expectável retirada dos estímulos da política monetária do BCE e o aumento das taxas de juro na Europa e nos EUA ameaçam provocar o rebentamento da bolha de preços dos mercados de capitais e um doloroso ajustamento de preços nos mercados de dívida mundiais.

Tudo isto poderá acontecer na pior altura para a Europa, enquanto a situação económica e política em Itália ameaça despoletar mais uma crise de dívida pública europeia e o Reino Unido se distrai da defesa do seu interesse nacional e continua a fragilizar o seu poder político e o da Europa, minando a confiança dos investidores.

Até já os políticos portugueses perceberam que estão em fim de festa, sendo apenas uma questão de tempo até a bolha rebentar-lhes nas mãos e também eles lamentarem o facto de desta vez não ter sido diferente... embora muitos contribuintes ainda esperam que seja.