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Expresso

Ser de direita

Dizem que anda por aí uma suposta crise grave no que à Direita portuguesa diz respeito. Aliás, neste país é de mau gosto, sendo que, na opinião de alguns, deveria ser proibido, ser de direita. Proibido por lei e arrumado o assunto, todos temos de ser, pelo menos, social-democratas, melhor se formos socialistas ou então não exprimirmos opinião política que destoe do magnífico consenso de esquerda que nos governa. Esta sim é a verdadeira crise. Não, não é este o caminho, nem é inevitável caminharmos todos para o unanimismo malsão e medíocre.

A grande clivagem ideológica neste país está entre a igualdade e a liberdade. Se de um lado, da Esquerda, a força da igualdade, sem olhar a circunstâncias ou contextos económicos e sociais, é a matriz económica e social, do outro lado, da Direita, a liberdade económica e o respeito pela liberdade individual é a pedra angular de todo o seu programa.

Um pequeno exemplo, mesmo recente, é o tema das propinas. À esquerda, a receita é clara. Grátis. Para todos. Ricos e pobres. Não é importante quanto ganham os pais. À direita, existe uma noção e conceito importante: equidade. E sim, quem tem mais tem que contribuir, por isso está num escalão acima no IRS. Não podemos ter um país onde quem não tem condições financeiras fique fora do acesso ao ensino universitário, mas também não podemos ter quem tem capacidade financeira, deixar de pagar o valor das propinas. Financeiramente, sempre o problema dos recursos escassos que não crescem à custa de desejos benevolentes, não podemos.

Não há dinheiro para tudo. Não há. Chamem-me economicista. Chamem-me extremista, pois quem se assume de Direita tem o rótulo de fascista pronto a ser-lhe colado, qual marca de impureza e indigno do convivo da magnânima e justa elite da esquerda bem pensante, aquela que sabe o que os cidadãos precisam, mesmo que eles não o peçam, exijam ou sequer desejem.

Acredito e muito na liberdade e no respeito pelo outro como valores absolutos de uma sociedade. E sim, a Direita está em melhores condições de criar uma sociedade mais livre e justa. Palavras vãs? Certamente, atendendo ao domínio do PS nesta Terceira República. Mas a História, em Portugal, demonstra bem quem fez mais, quem desenvolveu e quem lutou por criar uma sociedade portuguesa sem amarras de um Estado pesado, omnipresente, mas ineficiente no que toca a resolver os problemas que afectam verdadeiramente a vida do cidadão comum.

A esquerda vive a pensar no que fazer com o dinheiro dos outros. Sempre o fez. Cria impostos, cria um Estado mais pesado e ineficiente, desperdiça recursos sem mostrar resultados que melhorem a vida das pessoas, nos últimos anos então é notório. O défice está aparentemente controlado, mas os problemas nos Serviços Públicos, cada vez mais, tornam-se incontroláveis. E é contra essa ideia de Esquerda, que tolhe a liberdade, sem pedir licença e sem nada dar em troca, que deve emergir uma Direita. Uma Direita sem complexos. Uma Direita que tenha a noção de que precisa de apresentar um projecto alternativo. Uma Direita de futuro. Que olhe para o futuro, com um programa de futuro e com respeito pela história. Mas, sobretudo, uma Direita sem ódios.

Nem ódios de raça, de origem, ou ódios de adversários políticos. A esquerda odeia a Direita. É assim. A Direita deve preocupar-se única e exclusivamente com o país e com a boa resolução dos problemas do cidadão comum, sem olhar a nichos, procurando focar-se nos problemas da maioria da população, o cerne da comunidade nacional. É aí que está a chave. E para a Direita ser poder é preciso uma liderança forte e disruptiva. Alguém assume essa liderança?