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Expresso

Não há líderes sem equipas

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro é o melhor jogador do mundo inteiro. Esta afirmação prova-se e comprova-se jogo a jogo, com golos ou records batidos. Ronaldo é hoje um líder nato. Pelo que faz, pelo empenho e disciplina com que trabalha, pelo exemplo. Lidera pelo exemplo sendo um modelo de profissionalismo. Pelo rigor e perfeccionismo que coloca no seu desempenho profissional. Todavia Cristiano Ronaldo não iria conseguir ganhar títulos, marcar golos e conquistar Bolas de Ouro, se não tivesse consigo uma equipa inteira, dos jogadores à equipa técnica e dirigente dos clubes onde jogou. Podemos dar a volta que quisermos, mas não há líderes sem equipas, não há barreira ou separação possível.

Esta é uma temática que deve estar bem presente na vida das empresas e das organizações. Os grandes líderes são aqueles que, para lá do seu profissionalismo e qualidade individual, conseguem criar equipas e levá-las a excederem-se, a ultrapassarem-se. Desenganem-se os que pensam que sozinhos alcançam todos os objectivos. Nem no ténis, um desporto individual, Nadal ou Djokovic seriam o que são sem os seus treinadores, preparadores físicos ou agentes.

Hoje em dia é cada vez mais relevante a forma como se criam equipas, se consegue manter a harmonia e fomentar a mobilização para atingir os objectivos. Um dos casos mais exemplares do que é um mau líder, é quando a primeira solução que lhe vem à cabeça é a demissão, sem fundamentação e sem perceber a razão da quebra de desempenho, dos seus colaboradores. Isto é a prova cabal de que não tem perfil, nem estrutura para liderar nada. Um mau líder, não raras vezes, arroga-se o estatuto de alfa e ómega da organização, alheando-se do que se passa à sua volta, não procurando perceber quem consigo trabalha e, como muitas vezes sabemos, sem um módico de respeito, quando o outro falha, mormente se as circunstâncias pessoais obrigariam a maior tolerância e capacidade de adaptação de quem devia liderar e não aterrar.

Um verdadeiro líder é aquele que cria equipas coesas, com bom ambiente, com estabilidade e dá condições aos seus colaboradores para trabalharem sem medo. Sem o medo de errarem. Sem o medo de perderem o lugar. Não há pior incentivo que o medo, mais ainda se tivermos em presença de um líder caprichoso e de temperamento volúvel. E o medo é, estatisticamente, uma das principais razões do erro. Ora, um líder 360º tem de conhecer, com profundidade, a sua equipa. Precisa de cuidar da melhor matéria-prima que dispõe: as pessoas. Um líder que conheças as forças e fraquezas das suas equipas está muitos passos à frente para alcançar o sucesso no plano e objectivos almejados. Precisa de ouvir, sem receio da crítica justa e fundamentada, o que pensam os mais próximos. Aliás, basta analisar empresas e organizações, bem como líderes e gestores de topo (os verdadeiros, não os premiados por rotina, com parca exigência) para perceber que quem mantém equipas motivadas e coesas, quem consegue estabilidade, num mundo cada vez mais imprevisível, à sua volta vai mais longe com maior sucesso.

O modelo do líder centralizador, autocrata, que tem medo da sombra e medo que os seus colaboradores cresçam e sejam bem-sucedidos, está caduco. Antes vivíamos nos tempos dos reis e dos imperadores que punham e dispunham a seu bel-prazer, sem responsabilização ou crítica. Hoje em dia, vivendo nós em democracia, esse tempo passou. Gostei de ler, em tempos, uma reportagem sobre o CEO da Amazon, Jeff Bezos. Tem muito mérito na empresa que lançou, mas as críticas que recebeu pela forma como geria os seus colaboradores, colocadas a nu na imprensa foram arrasadoras para a sua imagem pública. Parece que depois dessa exposição pública acabou por mudar o estilo de gestão bem como certas atitudes e decisões. Ainda bem ganha a empresa, os trabalhadores e obviamente o próprio.

No mais recente livro de James Comey, o anterior Director do FBI, que saiu em ruptura com o Presidente Donald Trump, o autor diz-nos aquilo que considero ser o melhor resumo das características de um líder: auto-confiança e humildade. E quem é auto-confiante, quem acredita nas suas capacidades, mas tem a humildade de ouvir, de querer aprender com os outros, está sempre, mas sempre, um passo à frente.

A liderança é crucial em qualquer domínio da sociedade da economia à política. E uma liderança inclusiva, positiva e desafiante é a base para a prosperidade e a produtividade. Não há algoritmos que alcancem o sucesso por si mesmos, por maior tecnologia que exista.

Vale a pena reflectir sobre isto.