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Expresso

Oposição ou Alternativa?

Em Portugal apenas dois Partidos fazem as despesas da Oposição. É uma questão de história e de estilo. Um mais estridente e fracturante, o Bloco, outro mais sindical e com peso na rua, o PCP. O que esta inusitada solução governativa trouxe, ao regime político-partidário, foi o de colocar, pela primeira vez, a oposição no bolso do partido que constitui o Governo.

Domada a oposição mais ruidosa e mediática, sobram os partidos à Direita do Partido Socialista. E aí começa a questão central que o próximo ano político terá.

Está o país melhor com o actual Governo? A austeridade objectivamente terminou? Os portugueses vivem melhor?

Pois. As questões que contam nas nossas escolhas.

Todavia, mais do que saber se estamos, em termos materiais, melhor ou pior, precisamos de saber para onde nos querem levar, para onde almejamos estar. E aqui entra a questão da alternativa, do projecto, que se tem para um futuro melhor e mais sustentável.

O velho jogo partidário, abundante de chicana e da pequena teatralidade da falsa diferenciação, já cansa. Os partidos centrais do regime estão desacreditados, mas, por mais voltas que se dêem, com mais ou menos desgostos, ou existem os actuais, ou aparecem novos... Partidos. É a vida.

No entanto, o caminho da vida precisa de ser claro. E o país carece de uma alternativa clara, objectiva e geradora de esperança.

Sim, o ciclo económico obviamente conta. Sim, a economia e o que há no bolso ditam o voto. Mas mais do que ficar à espera, e já passaram nove meses da eleição do actual líder do maior Partido na Assembleia da República, o problema está no projecto para o futuro. Qual será? Onde está?

Quem olha de frente para o nosso país? Quem é capaz de olhar para o país sem preconceitos e perceber que ser jovem em Portugal é ter um futuro com baixos salários? Sim, não oiço propostas, ideias, soluções para melhorar a realidade objectiva das condições de vida das pessoas. Só ouço e leio notícias sobre tricas partidárias internas. Só comentários laterais ou desajeitados, mormente no PPD/PSD.

À esquerda, prossegue a todo o vapor a sanha persecutória e invejosa do lucro e, como os vários exemplos de socialismo que o século XX nos deu e o actual século mostra, o nivelamento vai sempre acabar por ser feito por baixo, para toda a sociedade, excepto a nomenclatura de topo, isolada da sina dos demais membros da sociedade.

Não vejo ambição, nem querer por um futuro digno para toda a nossa comunidade. Não vejo quem se preocupe, genuinamente, com o luxo que é hoje ser pai ou mãe neste país. Sim, ter filhos é caro, que não restem dúvidas. Ter filhos, neste modelo de sociedade, assente em horas e horas de trabalho, baixos salários e pouco tempo disponível, é luxo, só possível com grande esforço e vários sacrifícios.

Por outro lado, haverá futuro sem filhos? Haverá país sem as crianças? Haverá sustentabilidade do sistema previdencial da Segurança Social? Haverá quem pague as pensões?

Não oiço ninguém preocupado com a produtividade, bem baixa por sinal, para que os salários das pessoas subam sustentadamente. E o futuro do mercado de trabalho? Quem o pensa?

Não oiço quem fale para os pais e sobretudo para os avós, que aguentam a classe média, pois, depois de um processo de ajustamento duro, viram regressar os filhos e os netos a casa e são o esteio do orçamento familiar.

Quem pega este discurso? Quem se assume como verdadeira alternativa a um Governo de gestão corrente, que, três anos depois, se percebe que só existiu para António Costa colocar no curriculum que era Primeiro-Ministro?

É que se é para vivermos somente para o dia-a-dia, sem ambição, nem estratégia de futuro, bastam os que já lá estão.

Como cidadão, gostava de ter uma alternativa séria e genuína, sem maquiagem. Não a velha alternância, em que, na verdade, pouco muda. Isto sim é estrutural.