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Expresso

Capitalismo Solidário

Recentemente foi notícia que a Fundação Champalimaud recebeu 50 milhões de euros da família dos fundadores da empresa multinacional Danone para a construção de um futuro centro de investigação e tratamento do cancro do pâncreas.

É, sem dúvida, um cancro dos mais perigosos e agressivos, que vem sempre com um prazo de vida de poucos meses, de que o caso de Steve Jobs é exemplo. Infelizmente.

Todavia, não vou colocar-me fora de pé intrometendo-me em questões eminentemente médicas e que só na Medicina, com conhecimento, investimento e trabalho poderão vir a ter solução. Vou antes pegar em mais um sinal dos perigosos capitalistas, ainda para mais judeus, a apoiarem a investigação de um problema que afecta gravemente a vida das pessoas. Sim, o capitalismo também nos dá lições de solidariedade e filantropia. Não é caridade, é devolução à sociedade de parte do muito que receberam.

Mas é também um excelente elogio à Fundação Champalimaud. A confiança que a família Botton Carasso deposita na Fundação é a demonstração que em Portugal existe um trabalho de investigação científica médica de excelência. Sim, não tenho receio da palavra. Excelência. Lá, onde quem entra é tratado de uma forma cuidada, atenta, com todas as condições, aliada a uma forte componente de produção de ciência, feita com investigadores portugueses e estrangeiros de grande qualidade, com muitas publicações, em prestigiadas revistas científicas, muitas participações em conferências internacionais e reconhecido prestígio na comunidade científica mundial.

Acredito que certos intelectuais, sobretudo de esquerda, se arrepiem com a ideia de criação de Fundações e de apoios de empresas do grande capital a investirem no bem comum. Mas mais do que a comichão de alguma esquerda de intelectuais, que muito falam e nunca nada fizeram, é muito bom ter em Portugal exemplos como o de António Champalimaud, Calouste Gulbenkian e agora Mauricio Botton Carasso. Habituados a ouvir falar dos casos de filantropia, com maior mediatização internacional, do casal Gates, de Warren Buffett ou de George Soros, só para citar nomes de grandes empresários que muito fazem pela investigação científica e causas sociais, não é demais repetir e lembrar o que de excelente se faz em Portugal, fruto da iniciativa e do bem sucedido percurso empresarial de portugueses, como António Champalimaud, com trabalho de portugueses, em colaboração com estrangeiros e, no caso da Fundação D. Anna de Sommer Champalimaud e Dr. Carlos Montez Champalimaud, sob a batuta portuguesa e bem compassada de Leonor Beleza.

Cada vez mais acredito que o capitalismo precisa de regulação, de regras, precisa de ética e rigor na sua essência. Defendo os mercados, defendo a livre iniciativa e a liberdade de enriquecer, mas não sugando e cilindrando tudo o que está à volta das pessoas à natureza. Acredito que o Estado existe para facilitar a vida das pessoas, cuidar de quem não consegue estar inserido na sociedade e dar uma vida com um módico de dignidade a todos os seus cidadãos.

No entanto, um Estado não pode nunca desprezar, nem negligenciar apoios filantrópicos desta envergadura. Pelo contrário. Deve facilitar, deve simplificar, deve fomentar e potenciar sempre. Unindo esforços chegamos mais longe. E os capitalistas solidários podem e devem ser encorajados, não invejados ou vilipendiados como seres malignos, que apenas pensam no seu interesse próprio.