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Expresso

O bom exemplo da Universidade Nova

Num tempo em que é banal criticar os organismos e instituições do Estado, os funcionários públicos, as decisões do Estado, ainda encontramos motivos para elogiar a actuação do Estado. E é disso que se tratará nesta crónica.

Falo do bom exemplo da Nova School of Business and Economics (SBE).

Não é apenas o sinal que a Nova SBE dá ao trocar Campolide, no centro da capital, por Carcavelos. Sim, o país não fica apenas e só no centro de Lisboa. Não fica. E num tempo em que se fala de descentralização, esta mudança do coração de Lisboa para Cascais é um excelente sinal de uma tendência que devia acentuar e dirigir para o interior, para o Portugal dos territórios de baixa densidade.

Todavia não é apenas a questão da localização que está em causa. É a forma como uma Universidade pública se lançou nesta obra. Arrancou com apoios de vários doadores privados, sim empresas privadas, com o recurso a campanha de fundraising e busca de parceiros empresariais e institucionais. Objectivo? Angariar 50 milhões de euros, destinados a edificação do novo campus.

Pois é. E assim temos todo um paradigma em que devemos meditar, mas sobretudo aprender e mimetizar. Uma instituição pública, uma das mais cotadas Escolas de Gestão nos rankings mundiais, e sou isento a minha alma mater de licenciatura é o ISCTE-IUL, mas não fico indiferente ao que é um trabalho bem feito, procurando conciliar financiamento público e privado. Para quê? Para se modernizar, para ombrear com a aguerrida e bem financiada concorrência internacional pelas instalações, pelos docentes, logo pela qualidade do ensino. A Nova SBE procurou construir um campus de fazer inveja a qualquer instituição de ensino superior por esse mundo fora. A fórmula para o sucesso, ademais no difícil mercado dos MBA, só pode ser uma escola que alia bons professores a excelentes condições para os alunos.

Esta é a mentalidade que guia o privado, mas que deve guiar, onde aplicável, o público. E sim, estas parcerias público-privadas, bem delineadas com uma clara divisão de risco entre público e privado, valem bem a pena. Estas sim. Em que o público é o promotor, mas conta com o apoio dos privados, em forma de donativos ou de parcerias. E devia ser assim em muitos e muitos organismos e institutos. Cada evento do Estado, desde que devidamente enquadrado, devia ter apoios privados, casos como o do jantar do Panteão, mostram que o privado nem sempre cai bem na esfera pública. Era muito importante mudar mentalidades. Mudar formas de estar e de pensar. Certamente que, noutros tempos, o mais natural seria o Estado pagar por inteiro a nova localização da Universidade. Com as inevitáveis derrapagens nos orçamentos, com custos a subir e prazos de execução a fugir.

Outro caso interessante de parceria público-privada, no nem sempre fácil domínio da cultura, com franco sucesso junto do público, por consequência na divulgação museológica, foi a exposição de Joana Vasconcelos, no Palácio da Ajuda, organizada pela Everything is New, de Álvaro Covões, mais conhecido pelo festival Alive.

São bons sinais. Bons sinais para todos os gestores públicos. E sim, tanto se fala em reformar o Estado, podíamos começar por colocar alguns objetivos aos gestores públicos, nos organismos onde a mais valia da possível participação do sector privado seja mais evidente, de angariação de recursos no sector privado (empresas e instituições privadas de diverso cariz) para actividades dos seus organismos onde a dinâmica possa servir de catalisador de boas práticas e de bons resultados para o Estado, para os parceiros e para os cidadãos. Fica a sugestão.

Parabéns ao Daniel Traça e ao Pedro Santa Clara, as caras deste hercúleo projecto da Nova SBE, que está quase a chegar a bom porto. Sim, temos bons exemplos neste país. Haja vontade e iniciativa para os multiplicar para o bem comum.