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Dinheiro pessoal

As verdades que ninguém quer dizer

Rui Pedro Batista

A crise que começou por ser financeira e hoje é mais que certo uma profunda recessão económica, não trouxe uma mudança de comportamento dos políticos.



Quem nos governa - que deveria ser a lanterna que ilumina e revela o caminho -, começou por tentar esconder a crise, mais tarde tentou disfarçar os seus efeitos e agora limita-se a dizer que não vamos sofrer muito com a dita. Redonda mentira! Há duas (infelizmente) verdades que não podem deixar de ser reveladas.



Primeira verdade: O ano de 2009 será, provavelmente, para uma grande fatia dos portugueses, o mais difícil do ponto de vista económico desde Abril de 1974.



Apesar da queda do preço dos combustíveis, da redução da factura com os juros, uma parte substancial dos portugueses vai ter de viver com um menor rendimento disponível. Ou fruto de uma situação de perda do emprego, ou redução das condições ou simplesmente porque vão ter de começar a viver apenas com o dinheiro que têm e não com o financiamento que os bancos concediam, em alguns casos, de forma absolutamente artificial.



Esta verdade, comporta um acréscimo de informação. Portugal será dos últimos países a recuperar. Os Estados Unidos chegarão certamente ao final de 2009 em condições para começar a respirar de alívio, a Europa poderá entrar no primeiro semestre de 2010 a começar a gatinhar, mas Portugal não está em condições estruturais de começar a recuperar nesses prazos.



O nosso problema não é apenas conjuntural. Tem raízes num modelo de desenvolvimento que tem de quebrar, morrer, para que possa deixar nascer outro que terá necessariamente ser mais flexível e (ainda muito) menos dependente do Estado.



Segunda verdade: O pós crise não vai trazer tão cedo o mesmo nível de rendimento.



Esta é outra verdade que nenhum político se atreve a passar para a opinião pública. É que grande parte dos benefícios, desde as reforças, aos seguros até aos carros, vão sofrer uma redução substancial. Não se trata apenas de uma mudança conjuntural. É a própria estrutura que vai mudar também, no pós-crise.



Dito isto, e porque o que aqui nos interessa é sempre "O meu dinheiro", convém absorver que os próximos anos serão uma combinação de menores rendimentos certos, maior incerteza e uma crescente flexibilidade.



Isto quer dizer desgraça?! Não necessariamente. Apenas uma necessidade de adaptação a novos tempos. Aliás, como se sabe, em tempos de crise existem sempre os que ficam sentados a chorar. Mas também há os que aproveitam e vendem lenços de papel.