Siga-nos

Perfil

Expresso

Exames do dia

A Chave da Mudança

Maria Luísa Vasconcelos, Professora da Universidade Fernando Pessoa

Discurso de mobilização nacional neste 10 de Junho: apelo a um contrato social que inclua todos os agentes políticos e económicos, que explique os sacrifícios pedido ao Povo português e que dignifique a coesão nacional nas suas diferentes vertentes, com destaque para a defesa do Estado Social.

Ouvir o discurso, conduz a uma reflexão sobre a realidade presente, designadamente no âmbito do contexto da crise da dívida soberana, recentes estimativas para o crescimento do PIB no último trimestre (1,8%) e desempenho das nossas exportações (forte crescimento em Abril avaliado em 18,1% face a período homólogo).

Apesar destes números incentivadores, a euforia deve ser relativizada na medida em que a comparação é feita com o pior trimestre da crise. Como me assinalam, "a economia não está a salvo". O mercado continua muito nervoso. Para o esboço de esquizofrenia contam, entre outros, o risco de alastramento da crise de endividamento europeia, o risco de rebentar a bolha imobiliária na China, o risco de regresso à contracção económica por força das medidas de austeridade (os BRIC não têm peso para compensar), e o risco de um plano europeu mal coordenado.

Têm os mercados motivos de facto para estar nervosos?

A recuperação dos EUA vai vingar. Já está a acontecer. Num mês, os EUA criaram 420 mil postos de trabalho líquidos (menos 100 mil do que a expectativa; hilariante!). Permitem a desvalorização do euro, garantindo um seu mercado de consumo que acrescenta ao portento da sua procura interna, ao mesmo tempo que garantem a estabilidade entre o dólar e o yuan. Cresceram aproximadamente 3,5% no primeiro trimestre. O risco da dívida soberana dos EUA permanece, contudo, "como uma espada de Dâmocles" sobre o mercado.

Na Europa, entretanto, a liquidez é aparente, na medida em que não está disponível para a economia. A intervenção das autoridades públicas para a estabilização do sistema financeiro fez disparar os gastos públicos sem garantir um contra-balanceamento da poupança privada. A dívida foi apenas transferida do sector privado para o público e, hoje, o que foi a solução de emergência para a crise económica, constitui agora o problema essencial.

Esta é, contudo, apenas a dimensão financeira de uma crise muito maior. Os fundamentals combinam a economia, a sociedade e a política. Onde está a chave da mudança? Para a economia, a competitividade. Para a política, uma ideia firme e forte para a Europa. Para a sociedade, a mobilização.

Nas entrelinhas e com alguma observação, o discurso do 10 de Junho aborda tudo isto. Saibamos nós ter a inteligência, a atitude e o comportamento para resolver a crise financeira, actuando em todas as dimensões.

Clique na imagem para visitar o site da Universidade Fernando Pessoa

Este texto é da inteira responsabilidade do autor e da entidade representada.