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Expresso

Economista poeta

Uma enorme poetisa angolana

O prometido é devido: este blogue falará de economia, mas também de poesia e de outras artes.

Os poetas são pessoas como outras quaisquer. Simplesmente, conhecem o jardim onde nascem os poemas.

 

Entre os meus poetas favoritos contam-se Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena, Carlos Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Bertolt Brecht, Mário Cesariny  - mas depois há poemas que adoro de Fernando Pessoa, Manoel Bandeira, Eugénio de Andrade, Ary dos Santos, Fernando Assis Pacheco, António Lobo Antunes, Natália Correia, Alexandre O´Neill, Mário de Sá-Carneiro, etc.

 

Em qualquer caso, como angolano, a poesia da minha terra marcou-me e marca-me muito. O poema que hoje aqui trago é de uma das maiores poetisas de Angola (quando aprendi, homem era poeta e mulher poetisa...) e já o disse várias vezes em público. Descubro agora que a Joana Amendoeira já o terá cantado. Melhor para ela - e para a Alda Lara, que bem merece ser mais conhecida.

 

Testamento

À prostituta mais nova

Do bairro mais velho e escuro,

Deixo os meus brincos, lavrados

Em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida

Rapariga sem ternura,

Sonhando algures uma lenda,

Deixo o meu vestido branco,

O meu vestido de noiva,

Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo

Ofereço-o àquele amigo

Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus

Das contas de outro sofrer,

São para os homens humildes,

Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,

Esses, que são de dor

Sincera e desordenada...

Esses, que são de esperança,

Desesperada mas firme,

Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,

Em que a minha alma venha

Beijar de longe os teus olhos,

Vás por essa noite fora...

Com passos feitos de lua,

Oferecê-los às crianças

Que encontrares em cada rua...

Nicolau Santos

Director-Adjunto