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Expresso

Economista poeta

Portugal vale a pena!

Este artigo foi escrito inicialmente para a revista Exportar, do ICEP. De seguida foi adaptado, aquando da vista do Presidente da República à Índia, e publicado no The Economic Times, de Nova Delhi, em 11 de Janeiro de 2007, a pedido do mesmo ICEP. Agora faço uma nova readaptação e actualização, porque entendo que não estamos conscientes do muito de bom que existe neste país. E o primeiro passo para nos tornarmos um país melhor é termos consciência de que não somos uma nação que está sempre na cauda de qualquer classificação, é termos consciência que em mais de 190 países que existem no planeta, nós estamos entre os 30 com melhor desenvolvimento socio-económico, é termos consciência de que temos muito para andar - mas que nos podemos orgulhar do muito que fizemos em 30 anos!

 

 

 

Eu conheço um país que tem uma a quarta mais baixa taxa de mortalidade infantil do mundo - e a terceira da Europa, bem acima da média da União Europeia. E que em 30 anos passou de 80 mortos por mil nascimentos para quatro mortos por mil. Eu conheço um país em que, em 30 anos, a esperança média de vida passou dos 60 anos nos homens para os 74 e dos 65 para os 80 nas mulheres.

 

E que em apenas quatro anos construiu do zero (de 2002 para 2006) o terceiro mais importante registo europeu de dadores de medula óssea, indispensável no combate às doenças leucémicas, só suplantado pela Grã-Bretanha e Alemanha - mas que atingirá no final de 2007 o primeiro lugar.

 

Eu conheço um país que inventou que tem uma cidade que se tornou uma referência no tratamento de doenças do coração, dos pulmões e de olhos. E que inventou um método revolucionário no tratamento dos desdentados totais.

Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores de energia. Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus.

Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. Ou que cria miradouros virtuais para o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro (já em funcionamento) ou para a Muralha da China (que estará pronto este ano). 

 

E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.

 

Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais. 

 

E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros). 

 

Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar.

 

E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa por via informática. 

 

Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.

 

Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas, em que se paga através de um aparelho colocado no vidro dianteiro da viatura ligado directamente à conta bancária do utilizador.

 

Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. E um anti-tensor contra doenças cardíacas.  Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que "bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis. Ou que tem a melhor flor do sal do mundo, paga a peso de ouro pelos apreciadores.

 

E que conta já com um núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartões pré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo.

Eu conheço um país que tem uma empresa que é líder mundial no mercado de circuitos analógicos e sinal misto. E que tem outra que desenvolveu contadores monofásicos e trifásicos para energia, cujo produto foi certificado por um período de 20 anos pelo autoridade reguladora de energia da Grã-Bretanha. Ou que inventou um revolucionário conceito de gestão nas embalagens de plástico, em que a empresa portuguesa fornecedora coloca as suas unidades ao lado das dos clientes em qualquer ponto do mundo.

Ou que está já a comercializar têxteis-lar com cheiro para cada uma das estações, ou roupas para bombeiros que permitem à central controlar todos os sinais vitais e a localização do utilizador, ou t-shirts onde podem aparecer mensagens através de um simples toque no telemóvel.

Eu conheço um país que é o "state of art" nos moldes de plástico, que exporta e produz para e em todo o mundo.

 

O leitor, possivelmente, não reconhece este País. Mas é aquele onde vive.

Portugal é tudo isto - mas é muito mais do que isto. Tem uma economia moderna, dinâmica, inovadora. Em muitas áreas tem profissionais competentes e reconhecidos, no design, no marketing, na moda, na engenharia, na medicina, na ciência. Na arquitectura, combina algumas das obras históricas mais notáveis com arrojadas peças arquitectónicas actuais, de estações de caminhos-de-ferro a pavilhões virtuais do conhecimento, passando por inúmeros edifícios inteligentes. Na literatura temos um Prémio Nobel. Na Medicina também. Quantos países têm?

É verdade.  Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. 

 

Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP,Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software, Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services, Logoplaste, Chipidea e Janz - Contadores de Energia. E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, Vila Galé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo. 

 

E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, mas dirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos e anos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal, Continental Mabor,  McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistema em tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas em cada estabelecimento da cadeia norte-americana). 

 

É este o País que fez os Descobrimentos. O primeiro país que aboliu a pena de morte no mundo. O país onde eu vivo e onde vivem 10 milhões de pessoas e que é bem melhor do que a forma como o vemos e falamos dele. Mas para isso, precisamos de conhecê-lo mais profundamente, de descobrir os bons exemplos, de encontrar o que há-de melhor nele, de o amar. Porque Portugal é um país que vale a pena



 

Nicolau Santos,

Director-Adjunto