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Expresso

Economista poeta

Os resultados da OPA

A OPA da Sonaecom sobre a PT já lá vai, "chumbada" pelos accionistas em assembleia geral. É bom, contudo, que não se deixe passar em branco dois resultados da OPA, que foram assumidos pelo regulador, pela administração da PT, pelos pequenos accionistas e pela opinião pública em geral.

A primeira é a separação das redes de cobre e do cabo; a segunda é o "spin-off", ou, por outras palavras, a autonomização da PTM, por forma a haver concorrência entre esta empresa e a casa-mãe.

Ora parece que há quem considere que esta segunda promessa pode ser cumprida, fazendo o "spin-off", mas mantendo os mesmos accionistas de referência na PT e na PTM. Como é óbvio, se tal acontecer, os referidos accionistas estão a chamar parvos a todos os que acreditaram que nada ficaria na mesma após a OPA, mesmo que esta não vencesse. Porque, como também é óbvio, quem é que acredita que a PT e a PTM se vão combater do ponto de vista concorrencial, se os accionistas que estão á volta da mesa do conselho de administração forem exactamente os mesmos?

Deve, aliás, dizer-se que é imperativo que haja uma verdadeira concorrência e possibilidade de escolha para os clientes, coisa que hoje verdadeiramente não existe. Se existisse, a TV Cabo não seria a péssima empresa que é. Não se daria ao luxo de retirar o canal GNT substituindo-o pela Rede Record, só porque a Igreja que controla esta paga à empresa portuguesa para nos servir o seu cardápio; não se daria ao luxo de manter mensalidades demasiados elevadas, que baixa logo que um cliente ameaça desistir dos canais Lusomundo; não se daria ao luxo de durante dois dias cortar os referidos canais, com o argumento de que está a avaliar a posição do cliente; nem se daria a outros imensos luxos de arrogância.

Ora é bom que os accionistas da PT percebam muito claramente que não foi por acaso que a OPA da Sonaecom foi saudada com grande entusiasmo quando apareceu. Nessa altura, a arrogância da empresa para com os seus clientes era enorme e o sentimento geral, o sentimento da rua, era que os senhores da PT estavam a precisar de uma lição. Se a OPA não venceu foi porque mudou de presidente do conselho de administração e Henrique Granadeiro fez um trabalho notável para tornar a empresa mais amiga dos clientes e disfarçar os tiques de companhia majestática.

Mas a genética é o que é. Passado o perigo imediato, parece haver já quem pense que se pode voltar ao passado. Poder, pode. Mas é bom pensar bem. Porque haverá uma próxima OPA. E, nessa altura, se o caminho seguido for o que alguns já reclamam, não haverá de novo tantas vozes a saudar o facto da PT ter ultrapassado a prova de fogo a que foi submetida - nem chegará à acção de Granadeiro.

Nicolau Santos,

Director-Adjunto