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Expresso

Economista poeta

O novo aeroporto de Lisboa

Os vários debates, políticos e técnicos, que se têm realizado por causa do novo aeroporto internacional de Lisboa, se mostraram já que não se vai chegar a nenhuma conclusão unânime, revelaram igualmente que há alguns pontos onde a concordância é elevada. Sublinho sete.

1) Acabou a ideia de que não é preciso um novo aeroporto internacional para o país ou que a Portela ainda está muito longe de se esgotar. Pelo contrário, o que agora se discute é a necessidade de no mais curto espaço de tempo o país ter operacional um novo aeroporto internacional, porque a Portela está a ser obrigada a recusar milhares de voos por ano.

2) Acabou a ideia de que é possível uma solução tipo aeroporto da Portela mais um, para as "low-costs". Tornou-se claro que essa solução é menos rentável, mais difícil e menos interessante.

3) Os estudos sobre o novo aeroporto tiveram o seu pontapé de saída em 1969, no tempo de Marcelo Caetano, o que prova que já nessa altura se começava a revelar esta preocupação.

4) Não há nenhum local apropriado para um novo aeroporto que esteja a menos de 40 km de Lisboa.

5) Nenhum dos dois locais escolhidos (Ota e Rio Frio), bem como os que surgiram agora (Faia e Poceirão, muito perto de Rio Frio) têm as condições ideais, ou por causa do tipo de terrenos, ou dos aquíferos subterrâneos, ou por outras questões ambientais (ligado à preservação de aves selvagens).

6) A partir de 1985, Bruxelas passa a exigir estudos de impacto ambiental para financiar grandes infraestruturas como estradas e aeroportos. É por isso que Rio Frio acaba excluído, dado que os impactos ambientais são ainda mais gravosos do que na Ota.

7) Os problemas técnicos de construção do novo aeroporto na Ota, que serão resolvidos pela engenharia portuguesa, vão originar, com grande probabilidade, enormes derrapagens no orçamento previsto.

Dito isto, estamos perante uma necessidade e o mal menor. A necessidade é a de construir o novo aeroporto no menor espaço de tempo possível. O mal menor é que a escolha recairá sempre sobre uma localização que nunca fará o consenso entre os engenheiros portugueses. Por isso, a decisão final sobre a localização do novo aeroporto tem de ser, obviamente, política. Mas, como um alentejano escreveu um dia num muro no Alentejo, a propósito do Alqueva: façam, bolas!

Nicolau Santos,

Director-Adjunto