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Expresso

Economista poeta

O BNP ou os parvos somos nós?

A 2 de Novembro, o Governo anunciou que ia propor à Assembleia da República a nacionalização do  Banco Português de Negócio, utilizando para o efeito a Caixa Geral de Depósitos. Motivo: a inviabilidade da instituição, devido não só a prováveis fraudes cometidas pela administração de Oliveira Costa, que liderou o banco durante 15 anos, como a eventuais políticas comerciais erradas seguidas durante anos, em particular a prática de taxas de juro claramente acima do mercado.

Desde essa data, a Caixa já injectou mais de mil milhões de euros no banco (quase o dobro do que pretendia Miguel Cadilhe, então presidente da instituição, para a viabilizar, plano que foi recusado pelo ministro das Finanças) e o BPN é gerida por uma administração onde tem assento três altos quadros da Caixa: Francisco Bandeira (presidente), Norberto Rosa e Pedro Cardoso.

É por isso mesmo ainda mais surpreendente que, numa comparação entre as taxas de juro oferecidas para depósitos a prazo aplicadas através da internet, o BPN continue a ser dos bancos mais competitivos. As taxas que oferece são a terceira melhor para depósitos até 10 mil euros a três anos; são a mais competitiva para depósitos a seis meses até 10 mil euros, entre 10 mil e 50 mil e entre 50 mil e cem mil; e voltam a ser as melhores a 12 meses entre 10 mil e 50 mil e entre 50 mil e cem mil euros.

Ora, ponto 1, é surpreendente que o banco mantenha esta política de taxas de juro, que era uma das marcas da administração de Oliveira Costa que mais surpreendiam o mercado e lançavam suspeitas sobre a instituição; ponto 2, mais surpreendente ainda é que tais políticas se mantenham quando o banco, aparentemente, dificilmente sobreviverá enquanto tal a esta intervenção do Estado; e ponto 3 tudo se torna mais incompreensível quando os contribuintes já injectaram no BNP mais de mil milhões de euros para que o banco possa continuar a flutuar.

Ou alguém explica isto muito bem ou então os contribuintes têm todo o direito de pensar que alguém julga que eles são parvos.