Siga-nos

Perfil

Expresso

Economista poeta

O BCP e o círculo de giz caucasiano

O caso BCP já ultrapassou fronteiras. Os grandes jornais internacionais, como o Financial Times, referem o tema, dando-lhe grande espaço e interrogando-se sobre o futuro da novela.

Contudo, os dois principais protagonistas parecem ter perdido todo o bom senso e insistem numa radicalização que desprestigia o banco, enfraquece o ânimo dos seus colaboradores e conduz os accionistas a quererem vender as suas posições.

Não se percebe como a sede de mandar pode conduzir a esta loucura. Percebe-se, isso sim, que o que está em jogo não é o melhor para o banco, nem é ele que está no centro das preocupações, mas o que cada um dos protagonistas pensa ser o melhor para si.

No Círculo de Giz Caucasiano, de Bertolt Brecht, uma criança é disputada por duas mulheres. Ambas se dizem mãe da criança. Então o juiz desenha um círculo de giz no chão, coloca a criança no meio e diz a cada uma das mulheres para puxar a criança por um braço. Uma delas recusa-se a fazer tal, pelo sofrimento que causaria à criança. O juiz dá-lhe a criança. É ela a verdadeira mãe. No BCP, desconfio que os dois lados puxariam a criança até a rasgar ao meio.