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Expresso

Economista poeta

Golpe e contra-golpe

Na semana passada, a Sonaecom parecia ter dado xeque-mate à PT, subindo em um euro, de 9,5 para 10,5, a sua oferta de compra para as acções da telefónica. O jogo, contudo, não estava acabado. Faltava a resposta do conselho de administração da PT. E as primeiras reacções de alguns dos accionistas mais mediáticos recusavam também a venda ao novo preço.

A resposta, conhecida agora, é de tal forma brutal, que uma pergunta óbvia se levanta: o conselho de administração da PT ainda está a defender o interesse dos seus accionistas ou já começou a defender também os seus próprios interesses, mesmo que à custa da própria empresa?

Na verdade, na semana passada, após o anúncio da nova oferta da Sonaecom, gastando mais mil milhões de euros, o mercado começou a ajustar-se aos 10,5 euros por acção, o que deixava claro que entendia ser este valor adequado à actual situação da operadora.

Agora, o conselho de administração da PT propõe-se remunerar os accionistas em 6,2 mil milhões de euros até 2009, contra os 3,5 mil milhões anteriores - e propõe-se recomprar ainda até 16,5% de acções próprias, a um preço máximo de 11,5 euros, 9,5% acima da OPA.

A primeira questão que daqui decorre é o que vai acontecer se este plano de compra de capital for em frente, já que implicará, para os actuais accionistas, o aumento das suas posições. Ora como se sabe, este Governo já proibiu que isso acontecesse com a Telefonica quando aconteceu um plano semelhante. O que se vai passar agora? A Telefonica será de novo obrigada a vender para ficar abaixo dos 10%? E vai aceitar? E o Governo está disposto a entrar de novo nesta guerra para a qual não foi ouvido?

A segunda questão é que a PT está agora a fazer aquilo que criticou à Sonaecom: um enorme esforço financeiro, aparentemente acima do aceitável, que vai prejudicar a empresa no seu esforço de investimento nos próximos anos.

É por isso que esta resposta da administração da PT parece ultrapassar a mera defesa dos interesses dos accionistas da operadora.

Uma última nota para dizer que, se a desblindagem dos estatutos for chumbada na assembleia geral de 2 de Março, isso é tão legítimo como se passar. Porque, para o mal e para o bem, a assembleia geral também faz parte do mercado, também é o mercado.

Nicolau Santos,

Director-Adjunto