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Expresso

Economista poeta

Dra. Manuela, estou muito decepcionado

Tenho o privilégio de conhecer Manuela Ferreira Leite, enquanto pessoa que tem ocupado diversos cargos públicos, há 20 anos.

Sei da sua integridade, da sua honestidade, da sua competência, mas sei também do apoio discretissimo que dá a diversas famílias pobres, da vida simples e sem ostentação que leva, e do seu muito peculiar sentido de humor, que os que a vêem apenas nos telejornais desconhecem.

Tive o privilégio de ter aceite o meu convite para ser colunista do Público quando ali fui director. E tenho o privilégio de ter aceite o convite do Expresso para escrever no Caderno de Economia, onde é colunista.

A sua candidatura a líder do PSD significou para muita gente uma ruptura com um passado recente em que o partido se entregava cada vez mais nas mãos de gente com quem poucas pessoas apreciariam jantar.

É pois, com enorme estupefacção, que a vejo a patrocinar uma nova candidatura de Pedro Santana Lopes à Câmara de Lisboa.

Foi contra o que Santana Lopes representava que Manuela Ferreira Leite se candidatou a presidente do PSD. Foi por isso que deixou a dúvida sobre em quem tinha votado nas eleições de 2005. E foi contra tudo o que Santana representa que foi eleita presidente dos sociais-democratas.

Santana deixou a Câmara de Lisboa à beira da ruptura financeira. Rasgou o contrato com um conjunto de arquitectos, entre os quais Norman Foster e Renzo Piano, para melhorar arquitectonicamente a cidade de Lisboa só porque não tinha sido ele a fazê-lo mas o seu antecessor. E contratou Frank Gehry, ficando tudo até hoje em águas de bacalhau - e Lisboa mais pobre e feia. 

Vê-la agora a patrocinar esta candidatura deixa-me decepcionado. E triste. Não só pelo PSD que a democracia portuguesa exige. Mas também por si, dra. Manuela. Embora tenha a certeza que tomou contra-vontade esta decisão. O aparelho partidário impôs a sua lei. E isso é preocupante. E o sinal de que a senhora se vai fartar rapidamente do cargo que ocupa.