Siga-nos

Perfil

Expresso

Economista poeta

A lição de Al Gore

Já vivi demasiado para saber que, em matéria de teorias de todos os tipos, o que hoje é verdade e se torna moda, daqui a uns anos deixa de o ser. O americano que lançou o "downsizing" veio, passado uma década, escrever um novo livro, esclarecendo candidamente que tinha sido mal percebido por gestores e empresários e que os trabalhadores são o capital mais precioso de uma empresa. Benjamin Spock e Bruno Bethelleim escreveram livros e livros sobre pedagogia infantil – para nos últimos anos de vida corrigirem muitas das suas teorias, em particular aquela que dizia que nunca se devia dar uma palmada a uma criança. Também já assisti à moda de que os óleos alimentares e as margarinas é que faziam bem à saúde – para depois regressarmos aos benefícios do azeite para a saúde. E em matéria económica já assisti ao grande é que é bom, depois ao "small is beautiful" e estamos de regresso aos benefícios das fusões e concentrações.



Por isso, quando quase todo o mundo está na onda politicamente correcta do aquecimento global aconselho a que leiam o livro "Estado de Pânico", de Michael Crichton, que do ponto de vista do enredo (trata-se de ficção sobre dados estatísticos reais) nem sequer é dos melhores livros do autor (Congo, A Esfera, O Homem Terminal, Parque Jurássico, Sol Nascente, etc) onde muitas das verdades relativas ao aquecimento global, à subida do nível das águas, ao nível de CO2 na atmosfera, ao desaparecimento das florestas e das espécies, a tornados, furacões, terramotos, etc, são, se não postas em causa, pelo menos equacionadas de maneira que nos fazem reflectir melhor sobre a informação com que somos bombardeados todos os dias.



Em qualquer caso, depois de ouvir ontem o homem que costumava ser apresentado como o futuro presidente dos Estados Unidos, ficamos com uma certeza óbvia: que na última década todos estes fenómenos aumentaram de intensidade e que temos mesmo que cuidar muito melhor do planeta. Como Al Gore disse de uma forma tocante no final da sua intervenção, não podemos deixar que o planeta azul nos fuja das mãos – como um dia um dos seus filhos lhe fugiu, acabando por ser colhido por um automóvel, embora tenha sobrevivido.

Nicolau Santos,

Director-Adjunto