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Economista poeta

A importância de Durão

José Sócrates bem o disse no final: quão importante será para "as nossas carreiras" a assinatura do Tratado de Lisboa, que ocorrerá a 13 de Dezembro, no Mosteiro dos Jerónimos, 50 anos depois do tratado que fundou a actual União Europeia. Ao seu lado, tinha Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, o primeiro português a presidir aquele órgão.

Como já foi amplamente sublinhado, a presidência portuguesa da UE obteve um retumbante triunfo, conseguindo pôr de acordo 27 Estados que há seis anos não se entendiam sobre a forma como a integração europeia deveria avançar. Que tenha sido o Governo português a fazê-lo e que o tratado venha a ter o nome da capital lusitana é certamente muito prestigiante para Portugal, mas também para Sócrates, Luís Amado e Manuel Lobo Antunes, além de toda a equipa que dirigiram.

Contudo, é bom não deixar de fora os elogios a Durão Barroso. Ele foi fundamental no entendimento alcançado, foi decisivo a propor que o tratado se chame de Lisboa, foi importante nos fundos que Portugal vai receber através do novo quadro comunitário de apoio (QREN) até 2013. Para todos os que criticaram a ida de Durão Barroso para presidente da Comissão Europeia, abandonando o Governo português que liderava, esta é a melhor resposta: sem ele, o brilharete que Portugal agora alcança ou teria sido bem mais difícil de concretizar ou nem sequer seria possível.

Daí que Sócrates tenha referido a importância deste tratado para as carreiras dos dois. E daí que, no final da conferência de imprensa, tenha deixado cair, quando cumprimentava Durão, o muito português "porreiro, pá!" - porque Durão está indissociavelmente ligado a este sucesso.

Nicolau Santos