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Expresso

Volta ao Mundo a rasgar oceanos

No meio do pior da regata

Tempestade a bordo

O pior já passou para os cinco veleiros que cumprem a segunda perna da regata "Portimão Global Ocean Race". A forte frente que passou sobre a frota na noite de segunda-feira está agora a leste dos concorrentes e soprando vento moderado, e passando dos 50 nós para uns mais manejáveis 15 a 20 nós.

Uma pausa antes da segunda parte pré-natalícia em que os deuses do vento prometem revelar-se de novo. Tem sido um baptismo de fogo, mas as boas notícias é que todos os velejadores saíram ilesos e preparam-se agora para a segunda parte da luta que deverá chegar nas primeiras horas da véspera de Natal.

A bordo do líder "Team Mowgli" as coisas já quase voltaram ao normal. Em plena tempestade, uma onda enorme abateu-se sobre os aparelhos transom e danificou todos os canais de comunicação da embarcação. Esta situação deixou-os sem meios para receber ou transmitir mensagens incluindo importantes informações meteorológicas. Além de não lhes ter permitido mandar mensagens natalícias para familiares e amigos. Apesar deste revés, os britânicos Jeremy Salvesen e David Thomson estão a disputar uma fantástica regata e continuam a imprimir a sua velocidade ao resto dos concorrentes. Na actualização das 17:20 estavam a cerca de 110 milhas do segundo classificado, o chileno Cabo de Hornos.

Em plena tempestade, os chilenos conseguiram deixar para trás os alemães do Beluga Racer, ficando em segundo lugar, disputando a posição taco a taco em pleno oceano. Na mesma actualização (17:20) menos de um milha separava os dois concorrentes. Claramente a equipa chilena constituída por Felipe Cubillos e José Muñoz está a pressionar muito. Felipe declarou no seu blogue:

"Ontem à noite, navegámos muito velozmente com velocidade média de 15 nós. Velejávamos com o spinaker em código 5 com ventos de 40 nós, o que nos permitiu apanhar o Beluga Racer. Mas, logo que anoiteceu, o veleiro ficou completamente descontrolado e tivemos de rizar as velas para o Solent".

Eles pressionaram ainda mais e finalmente passaram o Beluga Racer, mas apenas por alguns metros. Cubillos continua: "De madrugada disse ao José que achava que não tínhamos visto toda a força da tempestade. Enquanto lhe dizia isto o vento subiu para os 48 nós. O veleiro ia nos 19 nós por isso, na realidade, a velocidade do vento tinha de estar perto dos 60 nós."

A bordo do Beluga Racer, Boris Herrmann e Felix Oehme passavam pelo mesmo. Os dois velejadores vestiram os seus fatos de sobrevivência, coletes salva vidas e correias de segurança e foram para o deck mudar velas pois navegavam perto de três recifes e com a pequena bujarrona içada na proa.

No seu blog, Boris escreve: "no momento em que escrevo isto, o vento sopra a uns 48 nós com golfadas constantes de 54 nós. Estamos a navegar entre 13 e 19 nós com velas de tempestade. A embarcação está-se a aguentar muito bem apesar das ondas enormes e confusas. Acabámos de recolher a vela grande e substituímo-la pela mais pequena e agora o veleiro está a navegar muito melhor".

Livrar-se da vela grande não foi tão eficaz como explicou Boris: "Caçou um pouco a vela quando o vento pareceu amainar um pouco e não vi um enorme muro de água a vir na nossa direcção. Acertou em cheio na embarcação, fê-la rodar enquanto eu puxava a vela gritando como um louco. Infelizmente não fui a tempo e a parte debaixo da vela rasgou-se. Mas acho que não é muito grave".

As boas notícias para a frota, especialmente para os dois veleiros mais a sul, "Team Mowgli" e "Hayai", é que a segunda área de baixa pressão está agora a dirigir-se mais para Sul, o que significa que é provável que o centro da tempestade passe ao largo de todos os concorrentes. Existia o receio que a frente se abatesse sobre alguma das embarcações, atacando-as com fortes rajadas, à popa e envolvendo-as num turbilhão giratório.

Enquanto que os sistemas de baixa pressão oceânica são fáceis de prever e de apanhar, tempo é tempo e qualquer coisa pode acontecer. O melhor presente de Natal para todos os concorrentes da regata "Portimão Global Ocean Race".