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Expresso

Bola Vermelha

Jogadores de fato e gravata

Filipe Fernandes

Há uns anos largos, Rui Costa deu uma entrevista em que lhe perguntavam se não se sentia incomodado com o estatuto de suplente no AC Milan. Disse que não. Afinal, era suplente de um miúdo brasileiro que, vaticinava, dentro de poucos anos seria o melhor jogador do Mundo. Não fez birra, não se queixou nos jornais, não disse mal dos colegas ou do treinador. O miúdo chamava-se Kaká, hoje é o melhor do Mundo e no dia em que o "maestro" se despediu de Milão, agradeceu os seus ensinamentos e disse sentir-se honrado por herdar a camisola número dez.

Dois anos depois, Rui Costa regressou a San Siro, mas com a camisola do Benfica vestida e quando foi substituído o estádio levantou-se para o aplaudir. Nesse ano, o "maestro" ainda foi jogar a Alvalade e voltou a sair de campo debaixo de palmas. Rui Costa sempre jogou de fato e gravata. Ao nível dos seus passes milimétricos juntava a postura de um senhor e isso mereceu-lhe o respeito das bancadas da Luz, de Milão e mesmo de Alvalade.

Tenho saudades de jogadores assim. Que não façam, como o Cardozo, birras por serem suplentes, que não se ofereçam a outros clubes, como o Di Maria, que deixem de festejar golos por estarem insatisfeitos com o ordenado, como o Yannick Djálo, ou que simplesmente deixem de jogar por discordarem com o treinador, como Miguel Veloso. Falta-lhes o casaco engomado e a gravata que Rui Costa sempre usou nos relvados.

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