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Expresso

Falta de castigo

Alimentação para a saúde

 Sempre fui bem tratado. Tive um programa de nutrição completo. Desde o nascimento. Leite de substituição até aos dois meses. Outro, de características diferentes, até aos quatro. E mais um, dos quatro aos doze meses. No meu caso, para seres ultra-sensíveis. Tive programas de alimentação específicos para a vida de exterior, sujeito a alterações do ambiente e a maior gasto energético. E outro, ainda, numa fase em que tinha maior sensibilidade digestiva. E outro, bastante diferente, quando andava com apetites vorazes.

No período mais sedentário da minha vida, para evitar aumento de peso e acumulação de bolas de pêlo, tive direito a outras opções alimentares que impediram que me confundissem com um paquiderme. E, já entrado na idade madura, beneficiei de alimentação específica, muito cuidada, para parecer jovem.

Absorvi do melhor, baseado na inovação e no rigor nutricional, para obter a condição corporal óptima. E atingir a beleza perfeita. Consegui. Modéstia à parte. Graças à atenção e carinho dos meus pais afectivos. Não fiz nada por isso. Os meus pais naturais abandonaram-me. Mas, ainda que me conservassem no ambiente familiar, não tinham discernimento para cuidar de mim.

Já tenho quinze anos. Sou um venerável ancião. Mas pareço um pirralho. Não sou mais do que um gato. Dos Bosques da Noruega.

Tive sorte. Sou um bem-aventurado da "feline health nutrition". Mas há gente da minha laia a viver na rua. Esquálida. A chafurdar nos contentores de lixo. Vida de gato vagabundo. Dói. E não dói menos por ver, cada dia, aumentar o cortejo de humanos nos mesmos lugares. Na mesma busca. 

Eu, Johann Strauss, no dia em que me deu para ser um pouco lamechas...