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Matemática

Uma mente não menos brilhante

Associado ao jogo Hex aparece, quase sempre, o nome do americano John Nash. Contudo, tal jogo foi inventado anteriormente por um dinamarquês chamado Piet Hein. Falando em Nash, Hein será sempre uma personalidade periférica. Mas será mesmo? Homem de interesses variados, foi poeta também e é essa vertente que exploraremos neste artigo, com a tradução de alguns poemas seus que revelam conhecimento científico.

Sociedade Portuguesa de Matemática

Em começos do século XX, nasceu na Dinamarca Piet Hein, filho de um engenheiro e de uma activista do movimento feminista, médica de profissão. Era descendente directo do herói holandês do mesmo nome que, em 1628, aprisionou ao almirante espanhol Benavides a riquíssima Esquadra de Prata na Baía das Matanzas, nos mares de Cuba.

  

É difícil dizer com precisão quem foi Piet Hein. Aos dezanove anos iniciou estudos no Institute for Theoretical Physics da Universidade de Copenhaga, mais tarde Institute Niels Bohr. Enquanto assistia a uma aula de Física Quântica dada por Werner Heisenberg, idealizou um dos seus mais famosos puzzles: o Soma Cube.

Anos mais tarde, nova inclinação vocacional levou-o a cursar Engenharia na Technical University de Copenhaga, dedicando-se aos mais variados inventos, tecnológicos, utilitários ou estéticos.



Em 1940, a Alemanha invadiu a Dinamarca e Piet Hein, presidente de uma união antinazi, passou à clandestinidade. Revelou-se então um poeta prolífico, cujos poemas plasmavam uma filosofia estóica de resistência ao nazismo. Durante a Segunda Guerra Mundial, publicou no reputado jornal Politiken muitos dos seus poemas, sob o pseudónimo Kumbel Kumbell, e estudou diversas línguas para os traduzir e internacionalizar.



Em 1942, enquanto pensava no Problema das 4 Cores, que teimava em resistir aos mais variados ataques de especialistas e amadores, inventou o Con-Tac-Tix, conhecido por Polígono na Dinamarca. Em finais dos anos 40, o jogo seria reinventado (independentemente) por John Nash, em Princeton.



Natália Bebiano e F. J. Craveiro de Carvalho, Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra





Leia o artigo completo no nº 160 da Gazeta de Matemática