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O lado negro das redes sociais na Internet (vídeo)

As redes sociais na Internet tomaram conta do quotidiano de milhões de pessoas. A maioria dos utilizadores não sabe o perigo que corre, nem como se defender. (Veja no final do vídeo a rubrica Global Net, uma parceria editorial do Falar Global com o Expresso)

Quem é quem, do outro lado

Nunca se sabe quem está do outro lado, mas palavra a palavra vai-se construindo uma imagem que muitas vezes está bem longe da realidade. Mesmo assim as redes sociais online continuam a ganhar adeptos de todas as idades, que chegam a preferir abrir uma janela virtual para o mundo, no recanto do lar, do que sair de casa. 

No hi5, uma das redes sociais mais utilizadas em Portugal especialmente pelos internautas mais jovens, fazem-se "amigos" com quem se conversa durante horas e trocam-se fotos que, muitas vezes, potenciam os perigos e as ameaças ajudados em muitos casos por um acompanhamento parental deficiente ou insuficiente. A conclusão é de Rosa Mary Manso, uma investigadora da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade do Porto, que durante três anos, ao longo da sua dissertação de Mestrado, testemunhou o uso de uma linguagem obscena aceite por todos, e a presença do estereótipo sexista contra a mulher em centenas de perfis do hi5 de adolescentes portugueses. A investigadora refere "Uma grande exposição ao nível fotográfico, quer de rapazes quer de raparigas totalmente identificáveis; chamou-nos também muito a atenção o tipo de apresentação que as raparigas fazem nestas fotografias, isto é, expõem-se de uma forma ousada e muitas vezes obscenas" facilitando a tarefa aos "predadores que já não se encontram no jardim-de-infância mas que se encontram agora nestas redes sociais e virtuais."

Facilitar a vida aos predadores

São muitos os perfis que facilitam a tarefa aos predadores sexuais e disponibilizam contactos pessoais. Basta uma busca rápida e seleccionar o alvo. "Algumas dessas jovens nem pensam nas consequências dessa exposição, porque felizmente muitas delas não passaram por nenhum problema físico, mas estão em risco de serem abordadas, de serem assediadas e perseguidas pelos predadores com essa exposição e inocentemente ou não expõem-se a riscos desnecessários" defende Maria José Magalhães, orientadora da dissertação de Mestrado e representante da plataforma União de Mulheres Alternativa e Resposta.

Maria, nome fictício, submeteu-se ao risco e aos 15 anos sentiu na pele a inocência de uma conversa que começou pela Internet e que depois de uma troca de fotografias mais ousadas, partiu para o encontro pessoal: "Entrei no carro, cumprimentei-o e a gente conheceu-se. Entretanto ele pega no carro e diz: vamos dar uma volta. Estávamos a conversar normalmente no carro, chegámos a um sítio que eu não conhecia e começámos a tocar-nos mas nada por aí além. Pensei mesmo só ficar numa "curte". Eu estava a ver que estava a ficar tarde e ele começou a insistir em termos algo mais. Eu estava aterrorizada, estava a querer sair do carro. Ele não me deixava e foi tudo muito repentino. Ele tentou forçar-me a fazer alguma coisa que acabou por acontecer mesmo não querendo."

Uma rede, vários crimes

Este é apenas um dos muitos exemplos de abusos que começam através da Internet. As estimativas apontam para que pelo menos 30 mil crianças entre os 10 e os 15 anos já foram aliciadas pela Web e 43% dos adolescentes falam sobre sexo com estranhos online. Além de relações que começam na Internet e acabam em violação, há casos de humilhação através de fotografias privadas expostas por ex-namorados, ou até clonagem de perfis para roubo de identidade e apropriação de contactos. Vários países europeus puseram em marcha campanhas de sensibilização para estes e outros perigos da net. Portugal também participa através de acções nas escolas com pais e alunos, e com o projecto internetsegura.pt.

Luís Magalhães, da UMIC, Agência para a sociedade do conhecimento, explica que "O que se pretende, numa linguagem muito simples, é descrever os diversos cuidados que as pessoas devem ter com a segurança, desde proteger o computador contra intrusões, vírus, instalação de firewalls; como também o que é que pode acontecer em termos de tentativas de roubo de identidade ou até tentativas de acções ilegais com conteúdos da Internet. Existe outro site - Linha Alerta - onde as pessoas podem comunicar conteúdos que lhes pareçam ilegais e ainda existe um site relativo a toda a comunidade escolar que é o Seguranet." Apesar das campanhas online e nas escolas há ainda uma grande falta de informação e é necessário passar a mensagem de que "É preciso pensar antes de publicar" sobretudo nas redes sociais mais usadas como é, por exemplo, o hi5. Segundo um estudo da Marktest, só em 2009, mais de 4 milhões de portugueses dedicaram 31 milhões de horas de navegação a esta rede social.

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