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Gene do pirilampo ajuda a combater malária (vídeo)

Cientista portuguesa está decidida a erradicar a malária. Para já, Maria Mota está a iluminar os parasitas com genes dos pirilampos para saber mais sobre a sua reprodução. (Veja no final do vídeo a rubrica Global Net, uma parceria editorial do Falar Global com o Expresso)

Mais de um milhão de mortes por ano

A malária foi erradicada em Portugal por volta de 1950, mas no resto do mundo continua a matar mais de um milhão de pessoas todos os anos. Uma criança morre a cada 30 segundos, sobretudo em África, e há registo anual de 500 milhões de novos casos.

 

Maria Mota, investigadora do Instituto de Medicina Molecular, explica que "o plasmodium, o parasita que causa mais tarde a malária, é transmitido por um mosquito e são as fêmeas que quando precisam ter uma alimentação de sangue, se estiverem infectadas, transmitem o parasita e fica logo um parasita na pele; depois este parasita viaja até ao fígado e no fígado onde provavelmente cada mosquito colocou 10 a 20 parasitas na pele, no fígado cada parasita que chega consegue em sete dias desenvolver-se em 300 mil novos parasitas".

 

Nesta fase ninguém percebe que está infectado porque não há sintomas. A malária só se instala e dá sinais quando os milhares de parasitas que se estabeleceram e multiplicaram no fígado vão para o sangue. Os sintomas mais leves são semelhantes aos de uma gripe, mas nos casos mais graves pode levar à morte. É por isso importante combater a fase hepática que é a base da doença, e perceber porque é que o parasita se dá tão bem no fígado humano.

 

"Neste momento há um grande interesse mundial em conseguirmos ter uma campanha global de erradicação da malária e é perceptível facilmente que nós não vamos ter uma campanha eficiente se não tivermos fármacos que combatam esta fase e porquê? Porque nesta fase seria mais fácil combater, porque temos menos parasitas, é antes das pessoas ficarem doentes, portanto, o organismo está menos debilitado, seria mais fácil de tratar", garante Maria Mota

 

Parasitas que dão à luz, literalmente

Maria Mota dedicou os últimos 15 anos ao estudo da malária e já passou por reputados laboratórios de Londres e Estados Unidos. Agora, em colaboração com a escola médica de Harvard, pretende descobrir novos medicamentos que consigam bloquear o parasita enquanto ainda está no fígado.

 

Os investigadores de Harvard "têm muita experiência em fazer rastreio de novos fármacos e além disso têm formas, usando robôs, de testar milhares e milhares de drogas ou fármacos num curto espaço de tempo e nós temos o conhecimento desta fase hepática e desenvolvemos também uma ferramenta essencial para que pudéssemos fazer em grande escala o teste de muitas drogas". A ferramenta desenvolvida pelo grupo de Maria Mota é um parasita que emite luz consoante se vai reproduzindo, ou seja, foi incluído o gene que permite aos pirilampos emitirem luz, no parasita - o que leva a perceber, em tempo real, se um medicamento está a conseguir travar a sua multiplicação ou não.

 

Mas não basta chegar aos medicamentos mais eficazes contra a malária, é preciso fazer com que não sejam tóxicos, tarefa exclusiva da Faculdade de Farmácia, da Universidade de Lisboa. O investigador Rui Moreira adianta que  "muitas vezes os compostos seleccionados não têm características adequadas para administrar por exemplo por via oral a doentes e necessitam ser transformados quimicamente de maneira a incluir essas propriedades". E é aqui que entra a experiência da Faculdade de Farmácia: "o nosso papel aqui será um pouco trabalhar nessas transformações químicas para gerar novos compostos que sejam mais adequados para administrar aos pacientes."

 Juntando o conhecimento dos investigadores portugueses aos de Harvard, o que se pretende é ter no final deste projecto um conjunto de medicamentos eficazes a matar o parasita, para finalmente, erradicar a malária do mundo.

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