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O Vento nas Velas

Uma Portuguesa no Japão

Universidade de Kyoto

As impressões de uma estudante portuguesa durante o seu ano de frequência na Universidade de Tenri, no Japão.

Tânia Marques

Tinham-me dito que Tenri era uma cidade pacata e calma onde se podia conhecer a parte mais bucólica do Japão. Vim a descobrir que era muito mais que uma mera cidade, Tenri é na realidade uma importante capital religiosa, a da religião Tenrikyo que é praticada em vários países. A Universidade de Tenri está intimamente ligada a essa religião e é, sem dúvida, o melhor local para se contactar com esta nova realidade. Vivi muito mais que uma experiência religiosa, aprendi a ver a religião e os seus praticantes de forma diferente. Foi também ali que me apercebi das grandes diferenças culturais que existem no mundo.

Uma das situações que me levou a notar que realmente existem enormes diferenças entre culturas foi no concurso de discursos de eloquência a que assisti na Universidade de Línguas Estrangeiras de Kyoto. O prémio é uma bolsa para estudar em Portugal, durante um ano, numa Universidade Portuguesa e no concurso reunem-se estudantes japoneses de todo o país, a frequentar a licenciatura em Língua Portuguesa. Os discursos foram proferidos em Português, a minha língua materna. Foi impressionante perceber que a língua pode ser a mesma, mas o pensamento ser tão diferente. Ouvi frases correctamente construídas, mas que jamais seriam ditas por portugueses. Nessa altura já estava no Japão há uns meses, por isso a situação não foi assim tão inesperada, no entanto, houve uma frase no discurso que me chamou particularmente a atenção.

Ao discursar, uma aluna da Universidade de Kyoto disse que queria ser polícia e pensava que o curso que Língua Portuguesa a iria ajudá quando exercesse a profissão. É uma frase simples e normal deste lado do mundo, contudo não acredito que uma pessoa a tirar uma licenciatura em Portugal pudesse dizer que queria fazer algo que não estivesse relacionado com o seu curso, muito menos numa profissão como a de polícia. Por mais espantoso que possa parecer, no Japão, esta mentalidade é muito normal. Mais de metade dos japoneses que conheci a estudar na Universidade no final da formação iam trabalhar para lojas ou centros comerciais, como se nunca tivessem tirado a licenciatura, ou como se esta fosse apenas parte essencial do enriquecimento educacional, mas não tivesse relevância profissional!

Por todas estas razões e por tantas mais que não poderia descrever com a justiça necessária, acho que o ano passado na Universidade de Tenri me proporcionou uma experiência de vida única e que me abriu muitos horizontes. Recomendo vivamente a todas as pessoas que queiram estudar no Japão a estudarem em Tenri e a partilharem esta experiência. Aos professores dos Estudos Lusófonos da Universidade de Tenri agadeço o apoio que sempre me deram como se fossemos parte de uma enorme família.

Tânia Marques foi aluna do curso de Língua e Cultura Japonesas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilda Alfarrobinha, Pedro Canavarro, Ayano Shinzato D. Pereira