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Expresso

O Vento nas Velas

Uma Japonesa em Portugal

Universidade de Tenri

Os japoneses são dominados pela sua agenda, já os portugueses dominam a própria agenda. Costumo dizer que é bom somar os hábitos portugueses e os japoneses e dividi-los em dois para equilibrar.

Ayano Shinzato D. Pereira

Existem 5 Universidades no Japão que oferecem Estudos portugueses ou Luso-brasileiros, incluindo a Universidade de Tenri, onde estudei. Na altura era ainda o único curso no Japão chamado 'Estudos Brasileiros'. Estudei a língua de Camões e, ao mesmo tempo, fiz o Curso de Professor de Língua Japonesa para estrangeiros.

Depois da licenciatura vim trabalhar para Lisboa onde conheci os portugueses, agora já não da perspectiva de uma estudante universitária. Foi fantástico! Na Expo' 98, no Pavilhão do Japão aconteciam surpresas todos os dias. Os visitantes do Pavilhão do Japão, um dos mais visitados, mal entravam e depois de esperar duas horas na fila, diziam,: "O Pavilhão da China! É fantástico!" "Os objectos chineses são tão lindos!" "Como se diz isto em chinês?", etc. Já me tinha habituado a ser chamada "chinesa" mas disto não estava à espera. Fez-me entender que, para os Ocidentais, os países do sudeste asiático fazem parte da China. Acontece também aos japoneses, em geral, não sabem distinguir os ocidentais: quando vêm um estrangeiro chamam-lhe "gaikoku-jin" (pessoa estrangeira.

Outra surpresa foi perceber que em Portugal não há nenhum escritório ou empresa que não utilize pelo menos um produto japonês, não há uma cidade sem carros japoneses, até as peças de bicicleta são japonesas. Nos supermercados tudo é europeu até chegar à caixa registadora, de marca japonesa. Os desenhos animados ('Anime') que passam na televisão já são quase todos do Japão. A relação comercial entre os nossos dois países está bastante activa, mas a relação cultural é muito ténue. É para mim normal que os meninos japoneses aprendam na escola que "os primeiros europeus que conhecemos foram os portugueses ", que isso "mudou a história do Japão pela introdução da espingarda", que os portugueses "construíram igrejas, escolas, orfanatos, etc., ...". Mas parece-me estranho que os meninos portugueses na escola só aprendam que a "última chegada ao Oriente foi o desembarque no Japão, em 1542/3" no tempo dos Descobrimentos. A relação cultural parece ter parado nas mentalidades tanto dos japoneses como dos portugueses.

Por sentir este vazio, surgiu-me uma forte vontade de dar a conhecer o "Japão" de onde vêm os produtos 'made in Japan' e espero ter contribuído para isso através do ensino da Língua e da Cultura do Japão nos últimos dez anos em Coimbra, Cidade dos Estudantes e dos Amores de Pedro e Inês, bem como na organização de eventos como conferências, workshops e a Semana Cultural do Japão na Universidade de Coimbra. Actualmente a Universidade de Coimbra não só recebe estudantes japoneses, mas envia estudantes portugueses para Universidades japonesas, com as quais firmou protocolos. Já existe um protocolo com a Universidade de Tenri, onde há estudantes portugueses a aprender japonês.

Ayano Shinzato D. Pereira é docente de Língua e Cultura Japonesas no Centro de Línguas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilda Alfarrobinha, Pedro Canavarro, Ayano Shinzato D. Pereira