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O Vento nas Velas

Luís Fróis, o primeiro japonólogo europeu

Os Jesuítas chegaram ao Japão em 1549, sob a orientação de São Francisco Xavier. O fundador da missão foi o primeiro a intuir que a difusão do Cristianismo poderia ser muito bem sucedida naquele país, se os missionários fossem capazes de se adaptar minimamente à cultura local.

João Paulo Oliveira da Silva

Depois da partida de Xavier, o seu sucessor, o padre Cosme de Torres, apoiou os esforços de acomodação, mas os pioneiros desse processo de aproximação cultural foram dois sacerdotes portugueses: Gaspar Vilela e Luís Fróis. Vilela foi o fundador da missão em Kyoto e aí viveu seis anos (1559-1565) sozinho entre japoneses, pois todos os seus auxiliares eram nipónicos.

Em 1565, foi substituído por Luís Fróis, que chegara ao país havia dois anos. Fróis, aproveitou as experiências do seu predecessor, aprofundou-as e embrenhou-se na cultura japonesa. Observador perspicaz, relatou para a Europa as campanhas da guerra civil que se travavam em torno da capital imperial e assistiu à emergência de Oda Nobunaga, o grande guerreiro que desencadeou o processo de reunificação do Império do Sol Nascente. As suas cartas, relatando os frutos da missão e os sucessos da guerra civil ganharam fama na Europa e eram traduzidas para várias línguas, assim que chegavam a Lisboa e a Roma.

Autor da crónica da missão relativa aos anos de 1549 a 1593, os textos de Fróis são hoje uma fonte incontornável para a História do Japão na segunda metade do século XVI. Fróis escreveu um outro texto, o Tratado das Diferenças entre a Europa e o Japão em que explicava, através de mais de 600 exemplos, que as duas civilizações eram quase opostas em suas práticas ... no entanto, eram igualmente civilizadas.

Nenhum outro autor quinhentista foi tão longe na aceitação de práticas culturais de outros povos quanto este jesuíta nascido em Lisboa. Na verdade, poucos europeus do século XVI ter-se-ão adaptado de forma tão profunda a uma outra civilização sem terem rejeitado a sua própria. Fróis foi um dos raros que encontrou o equilíbrio - não trocou umas verdades por outras, antes percepcionou a alteridade e o carácter relativo de valores que nos nossos pequenos mundos parecem absolutos. Por isso, escreveu que se o suicídio era pecado na Europa, no Japão, o hara-kiri podia ser a honra suprema de um guerreiro.

Fróis foi, por exemplo, um dos primeiros europeus (e muito provavelmente o primeiro missionário) a experimentar tratamentos por acupunctura. Foi, pois, um dos fundadores do método da acomodação, antes da chegada dos jesuítas italianos ao arquipélago nipónico.





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilda Alfarrobinha, Pedro Canavarro, Ayano Shinzato D. Pereira