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Expresso

O Vento nas Velas

Teppo Ki, a Espingarda

Teppo-kas ou espingardas

No primeiro encontro entre portugueses e japoneses, há 400 anos atrás, revela-se de imediato a, já então, tradicional apetência do povo nipónico para absorver as novas tecnologias com que toma contacto.

Ana Fernandes Pinto

A espingarda foi introduzida de modo espontâneo pelos mercadores, mas o senhor de Tanegashima comprou de imediato duas armas, sem discutir sequer o preço, e ordenou a um dos seus vassalos o estudo do método de fabrico dos arcabuzes. O estudo foi bem sucedido e a fama das armas de fogo espalhou-se de Kyushu a Kyoto.

Deste encontro fica ainda a imagem dos japoneses sobre esta "nova" gente, incivilizada e inofensiva, registada em 1606 na Teppo ki, a Crónica da Espingarda: "Estes homens, bárbaros do Sudeste, são comerciantes. Compreendem até certo ponto a distinção entre superior e inferior, mas não sei se existe entre eles um sistema próprio de etiqueta. Bebem em copo sem o oferecerem aos outros; comem com os dedos, e não com os pauzinhos como nós. Mostram os seus sentimentos sem nenhum rebuço. Não compreendem o significado dos caracteres escritos. São gente que passa a vida errando de aqui para além, sem morada certa, e trocam as coisas que possuem pelas que não têm, mas no fundo são gente que não faz mal".

A imagem de civilidade em que, de modo implícito, os japoneses se reviam é posteriormente corroborada pela Companhia de Jesus. De entre os primeiros aspectos registados por todo o Jesuíta que desembarcava no Japão constava a polidez no trato, a afabilidade, o respeito pelas precedências, o horror ao furto ou a frugalidade na alimentação...qualidades estas que, segundo os mesmos registos dos missionários, aproximavam os nipónicos dos portugueses!





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilda Alfarrobinha, Pedro Canavarro