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Expresso

O Vento nas Velas

Andando sob o Sol Nascente

Estátua de bronze de São Francisco Xaxier, em Oita (Japão)

Nos primeiros anos da minha carreira académica dediquei-me sobretudo ao estudo da presença portuguesa no Japão. Estimulado pelas aulas sábias de Luís Filipe Thomaz, fascinado pelas obras de Armando Martins Janeira e de Charles Boxer, procurei saber mais sobre o país dos samurais e do Sol Nascente e sobre os mercadores e missionários que por lá andaram nos séculos XVI e XVII.

João Paulo Oliveira e Costa

Na busca dos viajantes portugueses, da civilização nipónica e dos lugares do encontro, visitei o Japão oito vezes entre 1991 e 2002. Viagens sempre curtas, mas intensas deram-me a conhecer um país e um povo que, afinal, não diferiam muito do que nos é descrito pelos portugueses de outrora. Em 1991, comecei por Tóquio, onde fui recebido pelo José Costa Pereira, que servia na nossa embaixada; daí passei a Kyoto, onde me encontrei com o Professor Sumida e com Jorge Dias. O exótico do Japão e a estranheza da terra e das gentes eram mitigados pelo diálogo que continuava a ser sempre em português.

Mas depois passei para Oita, onde devia fazer uma conferência, num local muito próximo do jardim onde as estátuas dos jesuítas recordam o povo que veio de longe para transmitir avanços culturais aos Japoneses. Na véspera da conferência um jantar cerimonioso. Eu, Óscar, o tradutor da embaixada e uma meia dúzia de personalidades locais. O repasto permanece inesquecível. Pela primeira vez comuniquei numa refeição com os restantes convivas por intermédio de um tradutor; eu falava, o Óscar repetia, eles falavam e o Óscar repetia. E as perguntas que me faziam eram próprias de quem queria satisfazer a curiosidade sobre um país distante e desconhecido, que era o meu. O clima, a alimentação, hábitos quotidianos, a História. Perguntas sem fim sobre o Portugal longínquo. E eu lembrei-me de Fernão Mendes Pinto, o aventureiro a quem tinham feito as mesmas perguntas havia 450 anos ... e lembrei-me de São Francisco Xavier, por cuja estátua passara, e que cedo avisara a Europa que nunca encontrara povo tão cortês e tão curioso.

No dia seguinte almocei num restaurante tradicional, à boa maneira nipónica, sentado sobre os meus joelhos, e então lembrei-me dos viajantes retratados nos biombos namban e das cadeiras que os acompanhavam ... eram homens experientes e prevenidos. Eu nunca mais comi naquela posição ... afinal já há cadeiras no Japão.





Coordenação



Cristina Castel-Branco e João Paulo Oliveira e Costa



Assistência Tecnica



Inês Pinto Coelho e Margarida Paes



Colaboradores



Alexandra Curvelo, Ana Fernandes Pinto, Leonilda Alfarrobinha, Pedro Canavarro, Ayano Shinzato D. Pereira, Alberto Vaz da Silva