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Expresso

Um olhar

11 de Março de 1975 O golpe do general

Rui Ochôa

O 25 de Abril ainda estava fresco. A esquerda e a direita digladiavam-se, os primeiros lutando por fazer avançar as conquistas de Abril, os segundos por manter o que fosse possível do regime deposto. Tinha sido assim que acontecera o 28 de Setembro anterior - um golpe que não passara de uma noite de toiros no Campo Pequeno. A 11 de Março, o general Spínola já não era Presidente da República - o lugar era agora do seu camarada de armas Costa Gomes - e tudo estava já perdido para ele. Mas tentou de novo. Às 11h45, dois aviões T6 e quatro helicópteros oriundos da BA 3, sediada em Tancos, sobrevoaram e atacaram com rajadas de metralhadora o quartel do RAL1, perto do aeroporto de Lisboa.

Surpreendidos, os militares em terra, comandados por Diniz de Almeida, reagiram enviando tropas para o exterior (na foto, imagem das movimentações junto ao quartel), para fazerem face aos ataques dos 'páras' que entretanto tinham cercado o quartel a partir dos telhados dos edifícios circundantes. A confrontação terminou às 14h40. Às 17h, Spínola, que entretanto se havia refugiado em Tancos com muitos militares e civis (muitos dos quais seriam posteriormente detidos), escapava-se de helicóptero para Talavera de La Reina, em Espanha, e dali, mais tarde, para um longo exílio no Brasil. No dia seguinte, o país acordou ainda mais mudado, com o anúncio de várias medidas, entre as quais se destaca a nacionalização da Banca.

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