Siga-nos

Perfil

Expresso

58 dias

1. 58 dias de trabalho é a diferença salarial entre homens e mulheres, de acordo com os dados publicados pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego. Como refere a CITE “seria como se a partir de dia 4 de novembro as mulheres deixassem de ser remuneradas pelo seu trabalho, enquanto os homens continuavam a receber o seu salário até ao final do ano.”

Este dado só por si revela as profundas disparidades salariais que persistem na nossa sociedade e que revelam a natureza exploradora do sistema capitalista.

Em média, as mulheres auferem um salário 15,8% mais baixo do que os homens, o que corresponde a uma diferença de 157,1 euros mensalmente.

São também as mulheres que engrossam a fileira dos salários mais baixos. Tradicionalmente, há setores como o têxtil ou o calçado, em que a esmagadora maioria dos trabalhadores são mulheres que auferem no fundamental o salário mínimo nacional.

Verifica-se também que nos setores em que as mulheres têm maior presença são onde as disparidades salariais são mais expressivas.

Recaí ainda sobre as mulheres o trabalho doméstico. Por dia em média as mulheres trabalham mais 1h13m do que os homens.

2. O mundo do trabalho é onde são mais evidentes as desigualdades entre homens e mulheres.

Há mais de quatro décadas que a Constituição da República Portuguesa estabelece o princípio da igualdade, contudo a realidade concreta é bem diferente, como os dados vindos a público bem demonstram. Apesar dos enormes avanços, persistem desigualdades nos locais de trabalho.

Os baixos salários que decorrem de discriminações indiretas nomeadamente na progressão na carreira e no acesso aos lugares de topo da hierarquia, afetam sobretudo as mulheres, são usados como elementos de pressão para manter os baixos salários e aumentar a exploração sobre os trabalhadores.

3. A precariedade e a instabilidade dos vínculos laborais, os baixos salários, a desregulação dos horários de trabalho, o desrespeito dos direitos de maternidade e paternidade são o resultado das opções da política de direita de PS, PSD e CDS.

Partidos que no confronto entre os interesses do capital e a defesa dos direitos das mulheres, optam sempre por não beliscar os interesses dos grupos económicos.

Não há igualdade no mundo do trabalho enquanto não houver uma efetiva valorização do trabalho, salários dignos, estabilidade (fazendo corresponder um contrato efetivo a cada posto de trabalho permanente) e o respeito pelo princípio a trabalho igual ou de igual valor deve corresponder um salário igual.

A luta pela igualdade entre homens e mulheres é de uma enorme atualidade e que exige a mobilização das mulheres trabalhadores para que a igualdade na lei seja a igualdade na vida.